sábado, 23 de maio de 2009

ESMOLAS EMOCIONAIS E OUTROS TROCOS - Marli Gonçalves


Entende que elas existem, e, o que é pior, às vezes nos contentamos com elas, por mais miseráveis que sejam?

Senhor, me dê um olhar. Uma atenção. Senhora, deixe-me tentar lhe agradar. Patrão, viu que fiz tudo direito? Papai, adivinha o que consegui fazer hoje! Mamãe, você acha que sou bonita? Não sabemos durante toda a nossa vida mais o que fazer, desde que nascemos, senão pedir pequenas esmolas, suplicar olhares mais atentos, ouvidos generosos. Esmolas emocionais. Pequenas esmolas. Pequenas atenções. Leves afagos para ir levando a vida. Abana o rabo aqui, dá a patinha, se finge de morto, senta, deita.

Cansei delas, das tais esmolas emocionais, aos 50. Não as evitarei, decerto. Mas não sairei mais mendigando por elas. Nós temos o nosso valor. Algum. Todos têm um valor. Farei como os músicos e malabaristas de rua que deixam o chapéu virado ali por perto. Quem quiser colaborar, que o faça. Que atirem algumas moedas, que deixem impressões, pensamentos. O que valem essas esmolas a não ser existir apenas como pequenas concessões e comiserações que alguém "generosamente" lhe oferta?

As coisas andam complicadas, principalmente os relacionamentos. Se amorosos, viram armadilhas, onde sempre alguém sai com um pedaço amputado, se sair com vida. Se profissionais, são levados na barriga, nas coxas, e em uma falta de educação mortal, que tem primado apenas em se aprimorar, coisa ruim. Quando familiares, os relacionamentos parecem guerras nucleares, brincadeiras bélicas, jogos de War, lados contra lados, até que um deles se rompa, ou rompa com todos.

Para completar, como ano após ano, está começando a se aproximar aquela data maldita que alguém inventou e se deu bem. A data pegou e ela pode deprimir, deixar muito mais triste do que o Natal, tem maior poder de destruição. O que é? O que é?

Acertou! Dia dos Namorados! Urghhhh!!!! Andei vendo passeatas de pessoas sozinhas querendo arrumar uma "canga", uma tranqueira qualquer para passar esse dia pelo menos em alguma companhia. Tinha de tudo, gente jovem, bonita, se divertindo, e gente mais vivida tentando pescar alguém no riozinho da vida, no lago seco, junto da marolinha. Passeatas patrocinadas por um site de relacionamentos, que costuma "percentualizar" interesses comuns, o que só pode dar uma grande bobagem e terrenos para encrencas. Você responde a algumas perguntas e eles dizem, juram, que encontram seu outro par de meias, a tampa da sua panela, o pé do seu chinelo. Aí te oferecem 78% de afinidade tal, 54% de afinidade tal, inclusive sexual, e assim por diante. Juro: ainda tem quem acredite até que Matemática funciona numa hora dessas, ignorando a importância da Geografia, do Português, da História, e outras matérias básicas.

Fora a sorte, necessária para quem se arrisca a jogar na loteria.

Sempre (mesmo quando acompanhada) tive certo enjoo com esse dia, onde a falsidade fica solta, os lugares se enchem de gente bonitinha, arrumadinha, vestida igual quando vai para a igreja, de mãozinha dada, gastando seus trocos, os carapicuás, em restaurantes e motéis lotados. Dia de fazer amor. Antes, invasões por todos os poros de corações vermelhos e mensagens edificantes – e o coitado do São Valentim, lá do dia 14 de fevereiro, nem passa perto dessa festa brasileira.

No dia seguinte, tudo volta aos eixos. Ou melhor, quem sofreu até ali, pega é o coitado do Santo Antônio, para pagar a desforra. Amarra, afoga, cega, embrulha, põe o careca de cabeça pra baixo. Simpatias de Santo Antônio. Só correndo para tomar quentão – sem duplo sentido, por favor!

Assim estamos, novamente, sempre, atrás – me digam se estou errada – das tais esmolas emocionais. Que chegam em muchochos, embrulhinhos, sacolinhas, sempre com poucas joias, pouca sinceridade, e muitas evasivas. Como tudo está muito confuso e o esporte parece vale-tudo, as pessoas se subestimam entre si. E isso é imperdoável, e está listado entre os itens que considero mesmo como totalmente imperdoáveis. Quer manter minha fidelidade, quase canina? Não me subestime, nem subestime minha inteligência. Se pegar em flagrante é o fim. Há concessões, mas elas têm limites.

Pequenas mentiras, graças contidas, carinhos esquivos, insensata falta de sinceridade. Fingimentos. Tudo bem, se estiver bom para ambas as partes, como dizia aquele deputado apresentador. Sem essa de esperteza, de um lado só. Esmola deve ao menos ser visível, tinir quando cai sobre as outras, e que engana cegos. Abraços e beijos não podem ser implorados, muito menos reconhecimentos. Tenho pensado sobre isso, depois de ouvir e ler depoimentos do grupo Mada (Mulheres que Amam Demais Anônimas), depois de ler o livro "Eu que amo tanto”, da genial Marília Gabriela, treze desses depoimentos colhidos com sutileza pela autora, como todas nós, sempre vibrantes e dispostas a dar mais do que receber. Mulheres que gritam nas ruas, evocando seus próprios fantasmas.

Até o dia em que vemos, recordem, que há limites, sim. Para tudo nessa vida.

São Paulo, inferno astral, 2009.

Marli Gonçalves, jornalista. Não acredita mais em duendes, como a Xuxa. Sabe que o eterno é só enquanto dura. Mas acha que o bom viver e amar, seja de que forma for, bem que podia durar eternamente, sem trazer o peso da desilusão, que a tudo destrói e arrasa. Seria bom poder guardar o troco.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A UNIÃO FAZ A FORÇA

"Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer."


E quando não conseguimos encontrar os nossos fieis escudeiros seguimos pelo mundo afora à esmo, tropeçando, chorando e sofrendo!
Um braço, um ombro, um afago, uma força; precisamos ser cuidados, precisamos saber cuidar, mas como é difícil esta entrega.
Que Jesus nos ilumine a todos!

Os Saltimbancos/ Chico Buarque

PAI FAZ FALTA - Déa Januzzi

Eu preciso me redimir com os homens. Os meus leitores que me perdoem, se por acaso o espaço desta coluna fala mais das mães do que dos pais. Para que os homens me perdoem, vou ter que pedir ajuda a meu próprio irmão, Luiz Carlos, que criou os dois filhos, Eduardo e Cláudio, depois da separação. Ainda pequenos, os meninos escolheram viver com o pai. A própria mãe reconheceu e deu uma lição a todas nós mulheres. Ela disse que também não saberia com quem ficar na hora da separação, já que os filhos gostam igualmente do pai e da mãe. Apesar de amar os dois filhos, ela deixou que eles ficassem com o pai, por livre escolha. Pai e filhos passaram muitas dificuldades juntos, viveram numa casa em construção, sem janelas, durante muito tempo. Juntos, eles não edificaram uma casa de palha nem de madeira, mas de tijolos, com pássaros na varanda, que tem lugar até para o canário belga Cauby Peixoto, que canta tanto quanto o próprio. Tenho que reconhecer que na casa desse pai, além dos canários, tem afeto, responsabilidade e compromisso. Que a casa é uma espécie de ninho para os filhos
já crescidos, que voltam para o churrasco dos domingos. E que a mãe é sempre bem-vinda na casa do pai e dos filhos. Eu quero escancarar esse coração de mãe para um pai em especial que
eu não sei nem o nome, mas que um dia me confessou que está sangrando depois da separação,
pois o filho se mudou para o interior de Minas e ele não sabe mais como viver. Sente tanta, tanta
saudade que pensou estar enlouquecendo.Eu quero abrir as portas do coração para todos os homens que dão colo, abraços, afagos, que contam histórias, acordam de madrugada para embalar o sono dos filhos. Homens que levam e buscam os filhos na escola, na aula de inglês, no futebol, que conversam com suas filhas, que sabem que o mundo não pára, que é preciso mudar. Homens que protegem os filhos das tempestades da vida, que não empurram os filhos para o naufrágio da ausência, do medo e da insegurança. Eu quero dizer aos homens que os filhos não pertencem à mãe. Que os homens me desculpem, mas não está escrito em lugar nenhum que as
mães devem criar os filhos sozinhas, que eles não têm responsabilidade na tarefa de educar. Que os homens separados me desculpem, mas quem disse que as mães querem carregar a pesada cruz da culpa? Ou ostentar todas as glórias? Que as mães também não querem colo? Que as mães não precisam de ajuda? Eu quero mostrar que os pais têm lugar garantido no coração dos filhos. Eu preciso declarar, em nome de todas as mães, que pai faz falta. Eu preciso dizer que existem pais amorosos, afetivos e presentes. Como o doutor Ivan que conseguiu criar, sozinho,
os três filhos Adriano, Breno e Rafael. Preciso dizer urgentemente aos pais separados que não há lugar para ódio, ressentimentos, que as mães não querem guerra, mas precisam urgentemente de pais para os seus filhos. De pais compreensivos, que nutrem a alma dos filhos, pois não existe sinfonia de uma nota só. Toda a orquestra tem que tocar, para executar a obra com perfeição. Que me perdoem os homens que ainda não despertaram para a nobre tarefa de ser pai, de ver um filho crescer passo a passo, de estar presente nos piores e nos melhores momentos. Que me desculpem as mulheres que dizem que são mães e pais ao mesmo tempo. Eu preciso dizer que a mãe é mãe, mas não é perfeita, que sempre haverá a falta do pai, por mais que ela se esforce. Por mais que as mães façam, por mais que elas tentem, por mais que lutem, o mundo precisa que
os homens adotem os seus próprios filhos! O mundo precisa urgentementede homens bons, ternos e sensíveis!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

HOMENAGEM

Manhã de homenagem a todas as mães, na figura de Maria, na escola do caçula.
Êta anjo, só não avua porque é fiote.
Beijos com amor. Mamãe

quarta-feira, 20 de maio de 2009

PARA QUEM É PAI/MÃE E PARA AQUELES QUE O SERÃO...


Há um período em que os pais vão ficando órfãos de seus próprios filhos. É que as crianças crescem independente de nós, como árvores e pássaros estabanados.
Crescem sem pedir licença à vida. Crescem com uma estridência alegre e, às vezes, alardeada arrogância.
Mas não crescem todos os dias, de igual maneira, crescem de repente.
Um dia sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Onde é que andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu?
Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços e o primeiro uniforme do maternal?
A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil.
E você está agora ali, na porta da discoteca, esperando que ela não apenas cresça, mas apareça! Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes sobre patins e cabelos longos, soltos.
Entre hambúrgueres e refrigerantes nas esquinas, lá estão nossos filhos com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros.
Ali estamos, com cabelos esbranquiçados.
Esses são os filhos que conseguimos gerar e amar, apesar dos golpes dos ventos, das colheitas, das notícias, e da ditadura das horas.
E eles crescem meio amestrados, observando e aprendendo com nossos acertos e erros.
Principalmente com os erros, que esperamos que não repitam.
Há um período em que os pais vão ficando um pouco órfãos dos próprios filhos.
Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas.
Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judô. Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas.
Deveríamos ter ido mais às camas deles ao anoitecer para ouvirmos sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, posters, agendas coloridas e discos ensurdecedores.
Não os levamos suficientemente ao Playcenter, ao shopping, não lhes demos suficientes hambúrgueres e cocas, não lhes compramos todos os sorvetes e roupas que gostaríamos de ter comprado.
Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto.
No princípio subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscina e amiguinhos. Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim.
Depois chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma e os primeiros namorados. Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saud
ades daquelas "pestes".
Chega o momento em que só nos resta ficar de longe torcendo e rezando muito (nessa hora, se a gente tinha desaprendido, reaprende a rezar) para que eles acertem nas escolhas em busca da felicidade.
E que a conquistem do modo mais completo possível. O jeito é esperar: qualquer hora podem nos dar netos.
O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco.
Por isso os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável carinho.
Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.
Por isso é necessário fazer alguma coisa a mais, antes que eles cresçam.


Fonte: Texto Affonso Romano de Sant'Anna

terça-feira, 19 de maio de 2009

HAHAHA, ADOREI!


Sou mãe de meninos e vibrei com este texto repassado pelo Paulo Bressane, publicado no Jornal Pampulha em 2008. Muitas palmas para ele.

PAIS E FILHAS

Como ainda estou curtindo as temperaturas gélidas da Patagônia, cedo o espaço a uma deliciosa crônica que me foi enviada pelo amigo cirurgião plástico Carlos Eduardo Leão. É um divertido alerta para os que, como eu, também são "pai de filhas".
"Não é mole ser pai de filha. Não por elas que, via de regra, são sempre mais carinhosas, mais amorosas, mais presentes, mais cheirosas, mais companheiras em comparação aos não menos amados marmanjos. O problema é ter que aguentar os amigos, pais de filhos, dizendo "cuide bem de suas cabritinhas, pois tenho um bode esperando por elas", ou " você passou de consumidor para fornecedor", ou ainda "capriche bem no dote, pois o macho lá de casa é de primeira" e pior: "use somente talquinho importado pois meus meninos são muito exigentes".
Que dureza ter que ouvir tudo isso! E não há muito o que retrucar nessa sociedade machista em que vivemos, onde os homens ainda se mantêm no topo hierarquizado das atividades humanas, latu sensu.
Isso continua sendo um fenômeno mundial, mesmo nesse milênio globalizado. Trata-se de uma questão cultural que se arrasta há séculos. Resta-nos, pais de filhas, suportar as gozações e nos prender ao privilégio de tê-las.
Ter filhas é ter a certeza de alguém para nos aguentar na velhice. Ter filhas é a certeza dos domingos festivos em torno de nossas mesas e ajantarados. Ter filhas é a certeza de genros. Torço para que sejam os filhos que não tive, em que pese a possibilidade nefasta da convivência com atleticanos ou flamenguistas. Ter filhas é ter o privilégio de pagar salões de beleza através de boletos bancários mensais, no meu caso são quatro mulheres ou seja, 80 unhas por semana, oito sobrancelhas, um tanto mais de depilações, escovas progressivas de todas as frutas cítricas e, mais recentemente de chocolate, além de hidratações, massagens relaxantes e "spas" de pés e mãos. ter filhas é ser íntimo de Louis Vuitton, Bvlgari, Herrera, Dolce & Gabana, Forum, Fram, Ellus e tantas outras que as deixam ainda mais belas e charmosas. Ter filhas é ter a certeza da necessidade de trabalhar dobrado, já que custam 50% a mais do que nossos tão econômicos varões. Ter filhas, assim como ter filhos, é a maior graça que nos concede o Criador.
E, como forma de homenagem para os meus queridos amigos e implacáves gozadores, pais de adoráveis mancebos que nada têm com isso, tenho um trunfo a irretorquível, insofismável e inquestionável máxima que diz: "Ter filhas é ter a certeza absoluta de que nossos netos são mesmo nossos".


Paulo Bressane - bressane@otempo.com.br

E O QUÊ FOI FEITO?


Já publiquei este post mas nunca é demais reforçar. Em setembro de 2000, a declaração do milênio foi aprovada por 191 países membros da ONU. Estabeleceu-se um compromisso compartilhado com a sustentabilidade do planeta.
8 jeitos de mudar o mundo, nós podemos!!!

1 - acabar com a fome e a miséria
2 - educação básica de qualidade para todos
3 - igualdade entre sexos e valorização da mulher
4 - reduzir a mortalidade infantil
5 - melhorar a saúde das gestantes
6 - combate a AIDS, a malária e outras doenças
7 - qualidade de vida e respeito ao meio ambiente
8 - todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento

PÉS PRÁ CIMA




Ai que vontade de ficar com os pés prá cima. Pés prá cima é ficar longe da correria, das preocupações de qualquer ordem, sem compromissos enfadonhos, sem pressa para viver, sem querer cercar o mundo, sem tomar decisões imediatas. Pés prá cima é apreciar tudo que a vida proporciona, observar sem palpitar, ouvir sem falar, sonhar sem acordar, sorrir, catarolar, brincar...

segunda-feira, 18 de maio de 2009

BLOGAGEM COLETIVA - Salvemos nossas crianças


Em 18 de maio de 1973, uma menina foi estuprada, desfigurada e morta no Espírito Santo. Os criminosos, jovens de classe média e alta de Vitória, nunca foram condenados. A barbárie permaneceu impune, mas em nome da criança capixaba – e de milhares de outras que sofrem em silêncio –, o país se mobiliza, trinta e seis anos depois, no Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Representantes de governos, movimentos em defesa dos direitos infanto-juvenis e da sociedade civil se unem para reforçar a importância das denúncias como forma de reduzir os índices de violência. Entre os eventos com essa proposta em Belo Horizonte está o Seminário de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, na manhã de hoje, na sede da Procuradoria-Geral de Justiça. A intenção é analisar e revisar o plano de combate a esse tipo de crime no estado.

Ontem, a Feira de Artes e Artesanato da Avenida Afonso Pena foi cenário para uma mobilização, apoiada pelo Ministério Público Estadual, Secretaria Municipal de Assistência Social (Amas) e Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente. Foram distribuídos 14 mil folhetos com orientações, além de adesivos, pulseiras, botons e camisetas, enquanto shows, desfiles de moda e inserções de teatro eram realizados em um palco montado na avenida.

De acordo com Robélia Ursine, coordenadora do Serviço de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes da Prefeitura de Belo Horizonte, o objetivo é estimular a população a denunciar porque grande parte dos casos ocorre dentro de casa. “O lema da campanha é Lembrar é combater, esquecer é permitir. Se as denúncias aumentarem, teremos mais ferramentas para poder intervir. Sem as denúncias, só podemos ver a ponta do iceberg”, explica a coordenadora. Para denúncia, os locais indicados são os conselhos tutelares, as delegacias especializadas, as polícias Militar, Federal e Rodoviária Federal, o Disque Denúncia Nacional (100) e o Estadual (0800 31 1119).


Fonte: Estado de Minas 18/05/2009

domingo, 17 de maio de 2009

PRODUTO ENLATADO/ Johanna Homann

Recém chegada no país, a moça bonita, elegante e muito segura foi ao restaurante indicado pelo concierge do hotel. Sentou-se sozinha numa mesa de canto e fez seu pedido. Bem ao centro, o playboy da cidade se exibia com o último modelo de celular na mesa, junto com a chave de sua BMW e tomava o champanhe que escolhera pelo preço. Ele, pelos padrões locais, estava certo de que era um homem de valor. Mas não foi por isso que se sentira atraída, pois esses ícones eram indecifráveis para ela.
Quantas pessoas gastam seu tempo e dinheiro para alcançarem boas "cotações" no mercado? A maioria das pessoas tem se tornado um produto "enlatado". Será que haverá saída para tamanha oferta? Pode-se até pensar que sim, pois a procura tem sido enorme. Mas, de que vale a embalagem se a mercadoria está apodrecendo nas prateleiras? O prazo de validade parece estar cada vez mais reduzido.
Os indivíduos estão voltados para os cuidados com o físico e têm desprendido pouca energia com a reflexão. A consequência é o exterior: olhando-me no espelho com tudo em cima, eu estou bem. Mas ninguém quer saber do que nos aflige por dentro, pois, para isso, não há remédio que cure sem maior envolvimento com o processo. Que tal tentar ser um estrangeiro e enxergar além dos padrões locais?
As pessoas deveriam talvez, quem sabe, conhecer o outro lado, ou seja, o lado de dentro de cada um. Nesse caso, o rapaz conseguiu manter um relacionamento feliz e duradouro, permitindo ser visto pelo o que é, e não pelo o que tem, pois a moça não se interessou pelos ícones utilizados por ele para impressioná-la. A embalagem pode ser bonita e resistente, mas não garante a conservação do produto para sempre.

Fonte: Caixa de Costura - editora Soler

YEPÁ AVÓ DO MUNDO/Teatro Aldeia de Bonecos

Este espetáculo surgiu da necessidade de se resgatar a magia do Folclore, seus mitos e lendas, trazendo à tona toda a poesia da tradição oral. O cenário é muito bonitinho com roupas estendidas no varal, folhas secas espalhadas pelo chão, sons de "quintal" além de sombras no lençol.
As Marias se vestem com avental, lenços na cabeça e a partir da saudade que sentem da infância criam a avó Yepá usando barro, pedra e sementes, para lhes contar histórias como no tempo de crianças.

Nós, daqui de casa adoramos e recomendamos/ para crianças pequenas

O DONO DA VIDA - Jayme Copstein

Naquele tempo, logo depois das diligências, quando estrada era tudo carreteira e ônibus não tinha privada, viajei de Bagé a Santa Maria. Passava uma hora, se tanto, que tínhamos deixado para trás o restaurante de beira de estrada, levando no bucho uma feijoada que a uns mergulhava em bem-aventurança, a outros, em aflição.

Como ainda havia umas quatro horas de sacolejo pela frente, tentei matar o tempo, passando os olhos pelos demais passageiros. Ninguém de chamar a atenção. Éramos 60 pessoas compartilhando absoluta falta de intimidade. Até os que se acompanhavam, só cochichavam mesmo as banalidades.

De repente, a modorra se estilhaçou, com a voz estrangulada de angústia saindo de entranhas:

- Para el coche! Para el coche!

O motorista guinchou no freio. Um castelhano clinudo, veio correndo lá do fundo, segurando a barriga como se recém tivesse sido estripado, e mergulhou na paisagem. Só que era descampado, não havia nenhum atrás-da-árvore.

O ônibus se acendeu em murmúrios. A situação do castelhano era precária. O que fazer, o que não fazer para lhe poupar constrangimento na volta. Um sorriso de compreensão porque a vida tem seus naturais? Quem sabe fingíamos não entender castelhano e não ter percebido o que acontecera?

Pois estávamos todos nestas indecisões, quando o castelhano voltou. Subiu no ônibus muito senhor de si, estufou o peito com olhar de triunfo, bateu com ruído as duas mãos na barriga e proclamou ao mundo:

- Ahora, si, soy otro hombre! Siga el coche!

Todos baixamos os olhos, encabulados.


Fonte: www.jaymecopstein.com.br/

INACREDITÁVEL!!!

Boxe:
nem que eu viva 200 anos vou conseguir entender o que leva dezenas e dezenas de pessoas a apreciar este estranho esporte.
Praticado muitos vezes em locais inadequados, de maneira pouco cuidadosa, sem seguir as normas da Federação, deixa vários esportistas com sequelas irreversíveis.


BOXE NÃO!!!

sábado, 16 de maio de 2009

FAZENDA - Milton Nascimento

Água de beber
Bica no quintal
Sede de viver tudo
E o esquecer
Era tão normal que o tempo parava
E a meninada respirava o vento
Até vir a noite e os velhos falavam coisas dessa vida
Eu era criança, hoje é você, e no amanhã, nós
Água de beber
Bica no quintal, sede de viver tudo
E o esquecer
Era tão normal que o tempo parava
Tinha sabiá, tinha laranjeira, tinha manga rosa
Tinha o sol da manhã
E na despedida,
tios na varanda, jipe na estrada
E o coração lá.


Nasci na capital mas tinha muitos parentes que moravam no interior, nas férias ou em alguma comemoração especial a gente se reunia fazendo uma festança gostosa com muitas brincadeiras.
Lembro destes dias quando escuto esta canção.

BOM DIA - Zizi Possi


Um dia quero mudar tudo, no outro eu morro de rir,
Um dia tô cheia de vida, no outro não sei onde ir,
Um dia escapo por pouco, no outro não sei se vou me livrar,
Um dia esqueço de tudo, no outro não posso deixar de lembrar,
Um dia você me maltrata, no outro me faz muito bem,
Um dia eu digo a verdade, no outro não engano ninguém,
Um dia parece que tudo tem tudo prá ser o que eu sempre sonhei,
No outro dá tudo errado e acabo perdendo o que já ganhei ...

Logo de manhã...bom dia!!!
Logo de manhã... bom dia!!!
Logo de manhã... bom dia!!!
Logo de manhã... bom dia!!!

Um dia eu sou diferente, no outro sou bem comportada,
Um dia eu durmo até tarde, no outro eu acordo cansada,
Um dia te beijo gostoso, no outro nem vem que eu quero respirar,
Um dia quero mudar tudo no mundo, no outro eu vou devagar
Um dia penso no futuro, no outro eu deixo prá lá,
Um dia eu acho a saída, no outro eu fico no ar
Um dia na vida da gente,
Um dia sem nada de mais...
Só sei que eu acordo e gosto da vida!!!
Os dias não são nunca iguais!

Logo de manhã...bom dia!!!
Logo de manhã... bom dia!!!
Logo de manhã... bom dia!!!
Logo de manhã... bom dia!!!


... e assim flutuamos na dualidade!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

SÃO FRANCISCO - Vinícius de Moraes


Lá vai São Francisco
Pelo caminho
De pé descalço
Tão pobrezinho
Dormindo à noite
Junto ao moinho
Bebendo a água
Do ribeirinho

Lá vai São Francisco
De pé no chão
Levando nada
No seu surrão
Dizendo ao vento
Bom dia, amigo
Dizendo ao fogo
Saúde, irmão

Lá vai São Francisco
Pelo caminho
Levando ao colo
Jesus Cristinho
Fazendo festa
No menininho
Contando histórias
Pros passarinhos

SUGESTÃO:
CD /Arca de Noé (Vinícius de Moraes) - As músicas são gostosinhas, o ritmo é gracioso, os arranjos tem sonoridades variadas agradáveis às crianças pequenas.

São 14 canções nas vozes de diversos intérpretes:
- Chico Buarque/Milton Nascimento - A Arca de Noé,
- MPB4 - O Pato,
- Elis Regina - A Corujinha,
- Alceu Valença - A Foca,
- Moraes Moreira - As Abelhas,
- Bebel - A Pulga,
- Frenéticas - Aula de Piano,
- Fábio Júnior - A Porta,
- Boca Livre - A Casa,
- Marina - O Gato,
- Ney Matogrosso - São Francisco,
- Walter Franco - O Relógio,
- Toquinho - Menininha.

Mamães e papais, para aqueles que não conhecem, vale a pena conferir!

SELO MUITO ESPECIAL


Fiquei muito feliz ao receber o selo "este blog é pura luz" do querido André do blogdomensageiro.blogspot.com/
Obrigada amigo.

Regras:
1 - Complete a frase: Eu sou luz e quero iluminar...
2 - Link o blog que te presenteou e deixe um recado avisando que o recebeu,
3 - Link e repasse o selo para cinco blogs, que reconheça como blogs de luz.

Eu sou Luz e quero iluminar todas as sombras que possam nos impedir de evoluir!

Repasso para:

1 - Dany - verdenovoverde.blogspot.com/
2 - Salerosa - ecosdojapi.blogspot.com/
3 - José Jaime - cafofodovovo.blogspot.com/
4 - Veronica - eassimquesou.blogspot.com/
5 - Hazel - www.casaclaridade.blogspot.com/

APENAS UM LEMBRETE...


"A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará".



O tempo/Mário Quintana

ROSA DOS VENTOS/ Chico Buarque


E do amor gritou-se o escândalo
Do medo criou-se o trágico
No rosto pintou-se o pálido
E não rolou uma lágrima
Nem uma lástima para socorrer
E na gente deu o hábito
De caminhar pelas trevas
De murmurar entre as pregas
De tirar leite das pedras
De ver o tempo correr
Mas sob o sono dos séculos
Amanheceu o espetáculo
Como uma chuva de pétalas
Como se o céu vendo as penas
Morresse de pena
E chovesse o perdão
E a prudência dos sábios
Nem ousou conter nos lábios
O sorriso e a paixão

Pois transbordando de flores
A calma dos lagos zangou-se
A rosa-dos-ventos danou-se
O leito do rio fartou-se
E inundou de água doce
A amargura do mar
Numa enchente amazônica
Numa explosão atlântica
E a multidão vendo em pânico
E a multidão vendo atônita
Ainda que tarde o seu despertar

Realmente, nunca é tarde!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES - Geraldo Vandré

Caminhando e cantando

E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer..

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não...

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição...

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer...