domingo, 29 de novembro de 2009

VELHICE DESPROTEGIDA - Déa Januzzi


Você acha que vender, convencer a comprar ou pedir contribuições mensais indiferentemente da causa pode ser uma violência contra o idoso? Pois inúmeras pessoas com mais de 75 anos estão em perigo, nas mãos de alguns operadores que vendem tudo por telefone. Uma amiga me liga desesperada dizendo que a mãe, de 81 anos, que mora sozinha, ainda é muito lúcida, está bem, faz de tudo, mas que às vezes ela falha por causa da idade. Nesses momentos, ela passa o número do seu CPF e do cartão de crédito para qualquer um que a convença a comprar um produto. Minha amiga repete com a voz sumida uma frase de Simone de Beauvoir. “Nada deveria ser mais esperado e, no entanto, mais imprevisto do que a velhice.”

Muitos idosos que vivem com certo conforto em suas casas também são muito vulneráveis ao sofrimento de outras pessoas na mesma etapa de vida. Uma voz mais terna ao telefone, dizendo que idosos de um certo asilo estão passando fome, pode ser a senha para um bombordeio de contribuições mensais que não param mais.

Algumas instituições chegam a abocanhar uma boa fatia do salário dos mais velhos. Mesmo que os filhos, parentes ou cuidadores percebam a tempo que o idoso em questão foi passado para trás, não é possível desfazer o que está feito. “Eles alegam que minha mãe concordou e deu o CPF e o número do cartão de crédito”, protesta a minha amiga.

Desfazer esse nó é mais difícil do que se pensa. Ela apelou para advogados, entidades de proteção ao consumidor, das donas de casa, que não puderam fazer nada e a mãe, que nem sabe o que foi que comprou e porque, teve que engolir o produto goela abaixo.

Ao ser indagada se acha que esse tipo de venda é uma violência contra o idoso, Judy Robbe, que tem grupos de apoio à família de pacientes com Alzheimer, diz que sim. “São muitos os casos que chegam ao meu conhecimento. Muitos idosos estão bem no início da demência senil e ainda têm os próprios cartões de crédito, preservam habilidades como conversar e atender o telefone, mas estão sob cuidados médicos e da família. A simples saída da mulher para resolver um problema levou o marido a fazer a assinatura de nove revistas ao mesmo tempo.”

A mulher só foi perceber quando chegou o extrato do cartão de crédito com as nove assinaturas de revistas que ele nunca leu nem vai ler, pois está com perda de memória e deficiência cognitiva. Outra vez a via-sacra: nenhum órgão responsável conseguiu desfazer o que alguns vendedores são capazes de aprontar com os idosos. Ela teve de mandar desligar o telefone por alguns meses para que ninguém incomodasse seu marido num momento de vida em que ele está tão frágil, pois “é um gasto extraordinário, que pesa no orçamento”, diz.

Há muitas formas de violência contra o idoso, além dos maus-tratos, da negligência e do abandono. Minha própria mãe, aos 90 anos, recebeu em seu apartamento um vendedor de enciclopédias que conseguiu lhe vender uma coleção que nenhum de seus netos, com mais de 20 anos, poderia usar. Era uma enciclopédia para o ensino fundamental, que ficou guardada no fundo do armário por muito tempo. Fora as contribuições para asilos e entidades de caridade, que chegavam a mais de seis. Se não era por telefone, eles apelavam para a campainha do apartamento, que ela abria sem nenhum receio, pois não desconfiava de ninguém a certa altura da vida.

Além de abrir a porta para estranhos, de comprar o que não precisava, ela ainda oferecia café. Muitas vezes, cheguei a tempo de evitar, mas nem sempre há disponibilidade da família para com as pessoas mais velhas. Cheguei a tratar mal alguns vendedores que insistiam, mas eles não se intimidam com nada. Esperam o momento certo para agir e passar para trás senhoras que viveram em outro tempo e não estão preparadas para um mundo tão desajeitado.

No momento em que a medicina torna possível viver até os 100 anos é preciso lembrar que a sociedade brasileira não está amadurecendo no mesmo ritmo. Há uma cultura de tirar proveito, mesmo que ao abrir a porta surja uma senhora de bengalas, com os cabelos brancos, as pernas trôpegas. Mesmo que ao telefone a voz revele as marcas do tempo e os ouvidos cansados de tanto ouvir não filtrem mais os sinais de abuso. A essa altura, qualquer um que esteja disposto a ouvir o idoso será bem-vindo, porque há uma solidão incurável. Só quem é velho no Brasil pode contar.


Fonte: Jornal Estado de Minas - Déa Januzzi, em 29/11/2009

sábado, 28 de novembro de 2009

ME DIGAM ...

... existe algum ser humano normal, no mundo, que não goste de um All Star? Não para caminhadas, lógico.
Pois eu acho este tênis, atemporal. Atende dos 0 aos 100 anos, homens, mulheres, crianças e bebês. Pessoas


legais e chatas, gordas e magras, altas e baixas, louras e morenas, com sotaque e sem sotaque, pobre e rico, com roupa social e casual, chique e hippie, com saias compridas e curtas.
Amoo mas...
... conheço quem não goste:


O MEU filho caçula, é de enlouquecer!!!

Ufa, precisava desabafar.
Também não gosta daquelas conguinas infantis maravilhosas com solado transparente e, nem de sandálias estilo franciscanas, tragam meus sais!!!

MADAME TEÓFILA - Théophile Gautier

Madame Teófila era uma gata avermelhada, de peito branco, nariz cor-de-rosa e olhos azuis, assim chamada porque vivia comigo numa perfeita intimidade, dormindo aos pés da minha cama, fazendo a sesta no encosto da minha poltrona enquanto eu escrevia, acompanhando-me ao jardim nos meus passeios, assistindo às minhas refeições e interceptando, muitas vezes, o bocado que eu ia levar à boca.


Uma vez, um dos meus amigos, afastando-se por alguns dias, confiou-me um papagaio, para que eu o guardasse enquanto durasse a sua ausência. O pássaro, sentindo-se deslocado, subira até o alto do poleiro, e circunvagava em torno, com ar desconfiado, aqueles olhos semelhantes a tachas de latão, encarquilhando as membranas brancas que lhe servem de pálpebras.

Madame Teófila nunca vira em toda a vida um papagaio; e esse animal, novo para ela, causava-lhe evidente surpresa. Imóvel, tão imóvel como um gato embalsamado do

Egito nas suas faixas, mirava o pássaro, reunindo com um ar de meditação profunda todos os conhecimentos de história natural que pudera colher nos seus passeios sobre o telhado, no quintal e no jardim.

A sombra de seus pensamentos passava-lhe pelas pupilas móveis, e nelas pude ler este resumo do seu exame: “Decididamente, é um pinto verde”.

Firme nesta conclusão, a gata saltou da mesa onde estabelecera o seu observatório, e foi agachar-se a um canto da sala, com o ventre por terra, os cotovelos para a frente, a cabeça baixa, o dorso estirado, como a pantera negra do quadro de Gérome, espreitando as gazelas que vão beber no lago.

O papagaio seguia os movimentos da gata com a inquietação febril; eriçava as penas, mexia com a corrente, passava o bico pelo bordo do vaso das comidas. Instintivamente, via ele na gata um inimigo, meditando e planejando alguma peça.

Quanto aos olhos da gata, fixos sobre o pássaro com uma intensidade fascinadora, diziam, numa linguagem que o papagaio muito bem compreendia: ”Não obstante ser verde, este pinto deve ser bom para comer!”

Eu seguia com interesse esta cena, pronto a intervir quando fosse preciso. Madame Teófila aproximou-se insensivelmente: as narinas róseas tremiam-lhe; e semicerrava os olhos, estendia e contraía as garras.

Calafrios corriam-lhe o dorso, como a um gastrônomo que caminha para uma mesa bem servida; deleitava-se com a idéia do repasto suculento e raro que ia fazer. Aquele manjar exótico aguçava-lhe o apetite.

De repente, seu dorso se encurvou como um arco retesado, e, de um salto, ela foi cair prestemente sobre a gaiola. O papagaio, vendo o perigo, com uma voz baixa, grave e profunda como a de um filósofo, gritou: “Já almoçaste, Jacquot?”

Esta frase causou um indizível terror à gata, que imediatamente saltou para trás. Uma fanfarra de clarins, um monte de pratos despedaçando-se, o estampido de uma espingarda nos ouvidos, não lhe teriam causado mais vertiginoso medo. Todas as suas idéias ornitológicas esboroavam-se.

— Quê? manjar do rei? — continuou o papagaio.
A fisionomia da gata exprimia claramente: “Não é um pinto, é um homem; ele fala!”

“Quando eu bebo um pouco mais, no botequim tudo dança”, cantou o pássaro com estrondos de voz ensurdecedores, como se houvesse compreendido que a sua palavra era o seu melhor meio de defesa. A gata lançou-lhe um olhar cheio de interrogações, e, não recebendo resposta satisfatória, foi estender-se na cama, de onde não saiu todo o resto do dia.

As pessoas que não têm o hábito de tratar com os animais pensarão talvez que estou emprestando intenções à ave e ao quadrúpede. Mas não fiz mais do que traduzir fielmente suas idéias em linguagem humana...

No dia seguinte, Madame Teófila, um pouco serenada, ensaiou um novo ataque e foi repelida pelo mesmo processo. Deu-se por satisfeita e aceitou o pássaro como homem.


Fonte: www.jaymecopstein.com.br

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

SOBRE VENENO



Um alerta para quem gosta de camarões...

VOCÊ PODE SE ENVENENAR ACIDENTALMENTE COM ARSÊNICO - Dessa forma, como medida de precaução, NÃO coma camarão quando ingerir Vitamina C - Leia com atenção!


"Em Taiwan, uma mulher morreu de repente com sinais de hemorragia em seus ouvidos, nariz, boca e olhos. Depois de uma autópsia preliminar, foi diagnosticado como “causa mortis” envenenamento por arsénico. Mas qual foi a origem do arsénico?
A polícia, então, iniciou uma profunda e extensa investigação. Um professor de medicina foi convidado para ajudar a resolver o caso.
O professor cuidadosamente examinou os restos existentes no estômago da vítima, e, em menos de meia hora, o mistério foi elucidado. O professor disse: “ O óbito não se deu por suicídio nem por assassinato, a vítima morreu acidentalmente por ignorância!
"Todos ficaram intrigados, por quê morte acidental? O arsénico ataca os militares americanos que transportam mudas de arroz H Gao. O professor disse: “ O arsénico foi produzido no estômago da vítima”. A vítima tomava Vitamina C todos os dias, que por si só não é nenhum problema. O problema é que ela comeu uma quantidade grande de camarão no jantar. Comer camarão não foi o problema, já que nada aconteceu à sua família que também comeu do mesmo camarão. Entretanto, na mesma ocasião, a vítima também tomou Vitamina C; é aí onde reside o problema.
Pesquisadores da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, descobriram através de experiências, que alimentos, como camarão “casca mole” contem alta concentração de compostos de 5-potassio-arsenico.
Tais alimentos frescos, por si só, não são tóxicos para o corpo humano! Entretanto, ao ingerir a Vitamina C, devido a uma reacção química, o inicialmente não-tóxico 5-potassio-arsenico (como anidrido também conhecido como óxido arsénico, As2 O5 ) se converte no tóxico 3-potassio-arsê nico (ADB anidrido arsénico), também conhecido como trióxido de arsénio (As2 O3), que é popularmente conhecido como arsénico !
O venenoso arsénico faz parte do magma e causa paralisia nos pequenos vasos sanguíneos, “mercapto Jimei”? Inibindo a actividade do fígado e produzindo a necrose da gordura ataca os lobos hepáticos, coração, rins, produz congestão intestinal, necrose das células epiteliais, telangiectasia. Portanto, quem morre envenenada pelo arsénico apresenta sangramento dos ouvidos, nariz, boca e olhos".

Publicada por Luis em 16:56


Fonte: cvssemprejovens.blogspot.com

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

IDOLATRIA - Sérgio Faraco




Eu olhava para a estrada e tinha a impressão de que jamais na vida chegaríamos a Nhuporã. Que pedaço brabo. O camaleão se esfregava no chassi e o pai praguejava:

- Caminho do diabo!

Nosso Chevrolet era um trinta e oito de carroceria verde-oliva e cabina da mesma cor, só um nadinha mais escura. No pára-choque havia uma frase sobre amor de mãe e em cima da cabina uma placa onde o pai anunciava que fazia carreto na cidade, fora dela e ele garantia, de boca, que até fora do estado, pois o Chevrolet não se acanhava nas estradas desse mundo de Deus.

Mas o caminho era do diabo, ele mesmo tinha dito. A pouco mais de légua de Nhuporã o caminhão derrapou, deu um solavanco e tombou de ré na valeta. O pai acelerou, a cabina estremeceu. Ouvíamos os estalos da lataria e o gemido das correntes no barro e na água, mas o caminhão não saiu do lugar. Ele deu um murro no guidom.

- Puta merda.

Quis abrir a porta, ela trancou no barranco.

- Abre a tua.

A minha também trancava e ele se arreliou:

- Como é, ô Moleza!

Empurrou-a com violência.

- Me traz aquelas pedras. E vê se arranca um feixe de alecrim, anda.

A japona me dava nos joelhos e ele riu de novo, mostrando os dentes. - Que bela figura.

A cara dele era tão boa e tão amiga que eu tinha uma vontade enorme de me atirar nos seus braços, de lhe dar um beijo. Mas receava que dissesse: como é, Moleza, tá ficando dengoso? Então agüentei firme ali no barro, com as abas da japona me batendo nas pernas, até que ele me chamou outra vez:

- Como é, vens ou não?

Aí eu fui.

Agachou-se junto às rodas e começou a fuçar, jogando grandes porções de barro para os lados. Mal ele tirava, novas porções vinham abaixo, afogando as rodas. Com a testa molhada, escavava sem parar, suspirando, praguejando, merda isso e merda aquilo, e de vez em quando, com raiva, mostrava o punho para o caminhão.

O pai era alto, forte, tinha o cabelo preto e o bigode espesso. Não era raro ele ficar mais de mês em viagem e nem assim a gente se esquecia da cara dele, por causa do nariz, chato como o de um lutador. Bastava lembrar o nariz e o resto se desenhava no pensamento.

- Vamos com essas pedras!

Por que falava assim comigo, tão danado? As pedras, eu as sentia dentro do peito, inamovíveis.

- Não posso, estão enterradas.

- Ah, Moleza.

Meteu as mãos na terra e as arrancou uma a uma. Carreguei-as até o caminhão, enquanto ele se embrenhava no capinzal para pegar o alecrim.

- Pai, pai, o caminhão tá afundando!

A cabeça dele apareceu entre as ervas.

- Não vê que é a água que tá subindo, ô pedaço de mula?

E riu. Ficava bonito quando ria, os dentes bem parelhos e branquinhos. - Tá com fome?

- Não.

- Vem cá.

Tirou do bolso uma fatia de pão.

- Toma.

- Não quero.

- Toma logo, anda.

- E tu?

- Eu o quê? Come isso.

Trinquei o pão endurecido. Estava bom e minha boca se encheu de saliva.

- Acho que não vamos conseguir nada por hoje. De manhãzinha passa a patrola do DAER, eles puxam a gente.

Atirou a erva longe e entrou na cabina.

- Ô Moleza, vamos tomar um chimarrão?

Fiz que sim. Ao me aproximar, ele me jogou sua japona.

- Veste isso, vai esfriar.

Fonte:
www.jaymecopstein.com.br

terça-feira, 24 de novembro de 2009

ALERTA SAMANTA




"Samanta Costa de Carvalho desapareceu no dia 03/04/2009 em Campo Grande, Zona Oeste do Rio de Janeiro, após sair de uma loja onde sempre costumava comprar copos plásticos para a mãe, que trabalha como ambulante no local. Samanta cumpria a mesma rotina diariamente, o que facilita muito o monitoramento e abordagem de crianças e adolescentes por parte de sequestradores. Samanta é mais um caso de menina desaparecida de forma enigmática no Rio de Janeiro. Com ela são 16 casos de meninas desaparecidas nesta condição que nossa instituição investiga. Divulgue o cartaz de Samanta em seu veículo de mídia, página na internet, página de relacionamento, blog, twitter e/ou imprima e o fixe em local de grande circulação de pessoas. A vida de Samanta pode depender dessa mobilização. E, se possível, pedimos que nos dê um retorno sobre a sua divulgação. Repasse essa mensagem".

Fonte: Projeto do Portal Kids / Mães do Brasil

Fonte:diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

IDENTIDADE Carlos Queiroz Telles


Cabelos molhados,
sol encharcado,
pele salgada,
vento nos olhos,
areia nos pés.

O corpo sem peso
é nuvem à-toa.
O tempo inexiste.
a vida é uma boa!

Mergulho na água
azul deste céu.
Sou peixe de ar.
Sou ave de mar.

Mergulho em mim mesmo,
silêncio profundo.
Sou eu e sou Deus
de passagen no mundo,
nadando sem rumo
entre conchas e paz.

Fonte:Sonhos, grilos e paixões. São Paulo: Moderna, 1990. p. 38

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

ENCONTRADOS




Os garotos Gustavo e Filipe foram localizados, ufa!

dan-poucodetudo.blogspot.com

MÁSCARAS - Gilberto Lazan



Cada vez que ponho uma máscara
para esconder minha realidade,
fingindo ser o que não sou...
faço-o para atrair o outro
e logo descubro que só atraio
a outros mascarados distanciando-me dos outros devido a um estorvo:
A máscara.

Faço-o para evitar que os outros vejam
minhas debilidades e logo descubro
que, ao não verem minha humanidade,
os outros não podem me querer
pelo que sou,
senão pela máscara.

Faço-o para preservar minhas amizades
e logo descubro que, quando
perco um amigo, por ter sido autêntico, realmente
não era meu amigo, e, sim,
da máscara.

Faço-o para evitar ofender alguém
e ser diplomático e logo descubro
que aquilo que mais ofende as pessoas,
das quais quero ser mais íntimo,
é a máscara.

Faço-o convencido de que
é o melhor que posso fazer para ser amado
e logo descubro o triste paradoxo:
o que mais desejo obter
com minhas máscaras é,
precisamente, o que não
consigo com elas.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CANÇÃO DO VER - Manoel de Barros



Por viver muitos anos dentro do mato
Moda ave
O menino pegou um olhar de pássaro -
Contraiu visão fontana.
por forma que ele enxergava as coisas
Por igual
como os pássaros enxergam.
As coisas todas inominadas.
Água não era ainda a palavra água.
Pedra não era ainda a palavra pedra.

E tal.
As palavras eram livres de gramáticas e
podiam ficar em qualquer posição.
Por forma que o menino podia inaugurar.
Podia dar as pedras costumes de flor.
Podia dar ao canto formato de sol.
E, se quisesse caber em um abelha, era

só abrir a palavra abelha e entrar dentro
dela.
Como se fosse infância da língua.

A de muito que na Corruptela onde a gente
vivia
Não passava ninguém
Nem mascate muleiro
Nem anta batizada
Nem cachorro de bugre.
O dia demorava de uma lesma.
Até uma lacraia ondeante atravessava o dia
por primeiro do que o sol.
E essa lacraia ainda fazia uma estação de
recreio no circo das crianças
a fim de pular corda.
Lembrava a tartaruga de Creonte
que quando chegava na outra margem do rio
as águas já tinham até criado cabelo.
Por isso a gente pensava sempre que o dia
de hoje ainda era ontem.
A gente se acostumou de enxergar antigamentes.

Por forma que o dia era parado de poste.
Os homens passavam as horas sentados na
porta da Venda
de Seo Mané Quinhentos Réis
que tinha esse nome porque todas as coisas
que vendia
custavam o seu preço e mais quinhentos réis.
Seria qualquer coisa como a Caixa Dois dos
prefeitos.
O mato era atrás da Venda e servia também
para a gente desocupar.
Os cachorros não precisavam do mato para
desocupar
Nem as emas solteiras que despejavam correndo.
No arruado havia nove ranchos.
Araras cruzavam por cima dos ranchos
conversando em ararês.
Ninguém de nós sabia conversar em ararês.
Os maridos que não ficavam de prosa na porta
da Venda
Iam plantar mandioca
Ou fazer filhos nas patroas.
A vida era bem largada.
Todo mundo se ocupava da tarefa de ver o dia
atravessar.
Pois afinal as coisas não eram iguais às cousas?
Por tudo isso, na Corruptela parecia nada
acontecer.

Por forma que a nossa tarefa principal
era a de aumentar
o que não acontecia.
(Nós era um rebanho de guris.)
A gente era bem-dotado para aquele serviço
de aumentar o que não acontecia.
A gente operava a domicílio e pra fora.
E aquele colega que tinha ganho um olhar
de pássaro
Era o campeão de aumentar os desacontecimentos.
Uma tarde ele falou pra nós que enxergara um
lagarto espichado na areia
a beber um copo de sol.
Apareceu um homem que era adepto da razão
e disse:
Lagarto não bebe sol no copo!
Isso é uma estultícia.
Ele falou de sério.
Ficamos instruídos.

Com aquela sua maneira de sol entrar em casa
E com o seu olhar furado de nascentes
O menino podia ver até a cor das vogais -
Como o poeta Rimbaud viu.
Contou que viu a tarde latejar de andorinhas.
E viu a garça pousada na solidão de uma pedra.
E viu outro lagarto que lambia o lado azul do
silêncio.
Depois o menino achou na beira do rio uma pedra
canora.
Ele gostava de atrelar palavras de rebanhos
diferentes
Só para causar distúrbios no idioma.
Pedra canora causa!
E um passarinho que sonhava de ser ele também
causava.
Mas ele mesmo, o menino
Se ignorava como as pedras se ignoram.

Desde sempre parece que ele fora preposto a pássaro.
Mas não tinha preparatórios de uma árvore
Pra merecer no seu corpo ternuras de gorjeios.
Ninguém de nós, na verdade, tinha força de fonte.
Ninguém era início de nada.
A gente pintava nas pedras a voz.
E o que dava santidade às nossas palavras era
a canção do ver!
Trabalho nobre aliás mas sem explicação
Tal como costurar sem agulha e sem pano.
Na verdade na verdade
Os passarinhos que botavam primavera nas palavras.

A turma viu uma perna de formiga, desprezada,
dentro do mato. Era uma coisa para nós muito
importante. A perna se mexia ainda. Eu diria que
aquela perna, desprezada, e que ainda se mexia,
estava procurando a outra parte do seu corpo,
que deveria estar por perto. Acho que o resto da
formiga, naquela altura do sol, já estaria dentro
do formigueiro sendo velada. Ou talvez o resto
do corpo estaria a procurar aquela perna
desprezada. Ninguém viu o que foi que produziu
aquela desunião do corpo com a perna desprezada.
Algumas pessoas passavam por ali, naquele trato
de terra, e ninguém viu a perna desprezada. Todos
saímos a procurar o pedaço principal da formiga.
Porque pensando bem o resto da formiga era a
perna desprezada. Fomos à beira do rio mas só
encontramos pedaços de folhas verdes carregados
por novas formigas. Achamos a seguir que as novas
formigas que carregavam as folhas nos ombros, elas
estavam indo para assistir, no formigueiro, ao
velório da outra parte da formiga. Mas a gente
resolveu por antes tomar um banho de rio.

Fomos rever o poste.
O mesmo poste de quando a gente brincava de pique
e de esconder.
Agora ele estava tão verdinho!
O corpo recoberto de limo e borboletas.
Eu quis filmar o abandono do poste.
O seu estar parado.
O seu não ter voz.
O seu não ter sequer mãos para se pronunciar com
as mãos.
Penso que a natureza o adotara em árvore.
Porque eu bem cheguei de ouvir arrulos de passarinhos
que um dia teriam cantado entre as suas folhas.
Tentei transcrever para flauta a ternura dos arrulos.
Mas o mato era mudo.
Agora o poste se inclina para o chão - como alguém
que procurasse o chão para repouso.
Tivemos saudades de nós.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

MANOEL DE BARROS


Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada, a minha aldeia estava morta. Não se via ou ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas. Eu estava saindo de uma festa,.
Eram quase quatro da manhã. Ia o silêncio pela rua carregando um bêbado. Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada. Preparei minha máquina de novo. Tinha um perfume de jasmim no beiral do sobrado. Fotografei o perfume. Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo. Fotografei o perdão. Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa. Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre. Por fim eu enxerguei a nuvem de calça.
Representou pra mim que ela andava na aldeia de braços com maiakoviski – seu criador. Fotografei a nuvem de calça e o poeta. Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa
Mais justa para cobrir sua noiva.
A foto saiu legal.

PARA CRIAR PASSARINHO - Bartolomeu Campos de Queirós



"Para bem criar passarinho é conveniente amar as quedas
de cachoeiras, as águas evoluindo nos rios e barulhos
de chuva sobre as telhas, imitando grãos em peneira.
Isso se faz possível se houver liber dade para as buscas,
tempo para a solidão e saudades mansas de
outros lugares ainda por conhecer."



Maravilha este "filhote" do Bartolomeu. Os textos são líricos, saborosos, leves e felizes.
O livro é de um extremo bom gosto, colorido, belíssimo ilustrado primorosamente por Guto Lacaz.
Para crianças e adultos espertos, vale a pena conferir.



"Para bem criar passarinho há que
deixá-los soltos para escolherem
e esconderem os seus ninhos en-
tre árvores, varandas e telhados.
É bom reparar, sem ansiedade,
com distância, as suas pérolas
postas em conchas de gravetos
encarando o azul, debaixo de
árvores e sombras de renda."

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ó SINO DA MINHA ALDEIA - Fernando Pessoa


Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho.
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.

PEDIDO DE AJUDA



domingo, 15 de novembro de 2009
Filipe e Gustavo - Desaparecidos
Por favor ajude.

O Gustavo e o Filipe são irmãos, os dois estavam no lançamento do "Casa das Fadas", são meninos bons e inteligentes. O Gustavo fez algumas ilustrações para o livro.
É Necessário sua ajuda,
Abraços,
Dan

Essas duas crianças estão desaparecidas desde sábado à noite (dia 07/novembro). Seus nomes: Filipe (13 anos) e Gustavo (9 anos). Passem essa mensagem a todos que puderem. Por favor publiquem em seus blogs.


Post "copiado" e "colado" do blog: dan-poucodetudo.blogspot.com

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

EU, SENTAR AO LADO DE UM NEGRO?





Uma mulher branca, de aproximadamente 50 anos, chegou ao seu lugar na classe econômica...e viu que estava ao lado de um ...passageiro negro.
Visivelmente perturbada, chamou a comissária de bordo.
- Qual o problema, senhora?, pergunta uma comissária.
- Não está vendo? respondeu a senhora.
- Vocês me colocaram ao lado de um negro. Não posso ficar aqui. Você precisa me dar outra poltrona.
- Por favor, acalme-se, disse a aeromoça. Infelizmente, todos os lugares estão ocupados. Porém, vou ver se ainda temos alguma disponível'.
A comissária se afasta e volta... alguns minutos depois.
- Senhora, como eu disse, não há nenhum outro lugar livre na classe econômica. Falei com o comandante e ele confirmou que não temos mais nenhum lugar nem mesmo na classe econômica'.
E continuou:
- Temos apenas um lugar na primeira classe.
E antes que a mulher fizesse algum comentário, a comissária continua:
- Veja, é incomum que a nossa companhia permita à um passageiro da classe econômica se assentar na primeira classe. Porém, tendo em vista as circunstâncias, o comandante pensa que seria escandaloso obrigar um passageiro a viajar ao lado de uma pessoa tão desagradável .
E, dirigindo-se ao senhor negro, a comissária prosseguiu:
- Portanto, senhor, caso queira, por favor, pegue a sua bagagem de mão, pois reservamos para o senhor um lugar na primeira classe.
E todos os passageiros próximos, que, estupefatos, assistiam à cena, começaram a aplaudir, alguns de pé.



Se você é

contra o racismo,

envie

esta mensagem

aos seus amigos,

mas não a delete...

sem ter mandado

pelo menos

a uma pessoa.


O que me preocupa não é o grito dos maus,

é o silêncio dos bons.


FOLHA DE SÃO PAULO / março 2006

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

INVISÍVEIS MAS NÃO AUSENTES - Victor Hugo



Quando morreu, no século XIX, Victor Hugo arrastou nada menos que dois milhões de acompanhantes em seu cortejo fúnebre, em plena Paris.

Lutador das causas sociais, defensor dos oprimidos, divulgador do ensino e da educação. O genial literato deixou textos inéditos que, por sua vontade, somente foram publicados após a sua morte. Um deles fala exatamente do homem e da imortalidade e se traduz mais ou menos nas seguintes palavras:

“A morte não é o fim de tudo. Ela não é senão o fim de uma coisa e o começo de outra. Na morte o homem acaba, e a alma começa.”

Que digam esses que atravessam a hora fúnebre, a última alegria, a primeira do luto.Digam se não é verdade que ainda há ali alguém, e que não acabou tudo?

Eu sou uma alma. Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser. O que constitui o meu eu, irá além.

O homem é um prisioneiro. O prisioneiro escala penosamente os muros da sua masmorra. Coloca o pé em todas as saliências e sobe até ao respiradouro.

Aí, olha, distingue ao longe a campina, Aspira o ar livre, vê a luz. Assim é o homem. O prisioneiro não duvida que encontrará a claridade do dia, a liberdade.

Como pode o homem duvidar se vai encontrar a eternidade à sua saída?

Por que não possuirá ele um corpo subtil, etéreo.

De que o nosso corpo humano não pode ser senão um esboço grosseiro?

A alma tem sede do absoluto e o absoluto não é deste mundo. É por demais pesado para esta terra. O mundo luminoso é o mundo invisível. O mundo do luminoso é o que não vemos. Os nossos olhos carnais só vêem a noite.

A morte é uma mudança de vestimenta. A alma, que estava vestida de sombra, vai ser vestida de luz. Na morte o homem fica sendo imortal. A vida é o poder que tem o corpo de manter a alma sobre a terra, pelo peso que faz nela.

Muitos consideram que o falecimento de uma pessoa amada é verdadeira desgraça, quando, em verdade, morrer não é finar-se nem consumir-se, mas libertar-se. Assim, diante dos que partiram na direcção da morte, assuma o compromisso de preparar-se para o reencontro com eles na vida espiritual.

Prossegue em sua jornada na Terra sem adiar as realizações superiores que lhe competem. Pois elas serão valiosas, quando você fizer a grande viagem, rumo à madrugada clarificadora da eternidade.

Que Deus nos ilumine hoje e sempre!

TUDO PASSA



"Certamente, você já deve ter passado por dias difíceis, onde os passos, antes ligeiros, se fazem contados, e onde o cenho pesado descreve as paisagens do coração.
Nesses dias, tem-se a impressão de que o ar se mostra pesado e cortante, que o céu é menos azul e que o riso e a espontaneidade desapareceram de nós mesmos.
São dias de desafios, que ocorrem com qualquer um de nós, nos oferecendo o aprendizado e o entendimento que a vida é escola a oferecer inúmeras lições.
Algumas vezes esses dias nascem das dificuldades financeiras, onde o dinheiro parece minguar, até mesmo para as contas mais básicas da manutenção da família.
Doutra feita, os dias sombrios surgem lentamente, no dia-a-dia da convivência familiar, seja no filho difícil, a nos exigir amor incondicional, ou no cônjuge exigente, a nos demandar paciência e compreensão.
Não raro, são as pequenas tarefas comezinhas, que vão, qual picadas de agulha, pouco a pouco, minando nossa disposição e esforço por bem conduzir a vida.
Conta-se que o Apóstolo da Caridade, Francisco Cândido Xavier, o nosso Chico Xavier, estava passando por uma fase muito dura em sua vida.
Os problemas familiares se avolumavam, a incompreensão alheia se mostrava intensa e isso tudo lhe enchia o coração de inquietações e dores.
Um dia, em que as dores se mostravam mais profundas, recorreu Chico Xavier ao seu mentor espiritual, Emmanuel, a fim de fazer-lhe uma solicitação.
Rogou Chico se Emmanuel poderia fazer um pedido, solicitar um conselho a Maria Santíssima, a mãe de Jesus, que, com seu coração amoroso e materno, pudesse lhe dar um conselho em momento tão amargo de sua vida.
Emmanuel lhe respondeu que iria encaminhar sua solicitação. Passados alguns dias, retorna o Espírito venerável com a resposta de Maria, mãe de Jesus.
Chico, diz Emmanuel, Maria manda lhe dizer o seguinte: “Tudo passa”. E o sábio médium acolhe aquelas palavras curtas entendendo o seu significado. Afinal, tudo passa.
Assim acontece conosco. As borrascas da vida são desafios para o desenvolver das virtudes. Elas nos exigem ora a paciência, ora a compreensão, tantas vezes nos convidam a cultivar a fé.
Todos esses desafios estão sob os olhos de Deus, que cuida de cada um de nós atentamente, sabendo quais as melhores lições para cada um de nós, Seus filhos.
No momento da dificuldade, quando as dores parecem intensas, quando as forças parecem se esvair, e quando temos a certeza que iremos sucumbir, há que se lembrar do conselho de Maria Santíssima: Tudo passa.
Dores e tormentos são lições para a alma que, ao bem conduzi-las, passa a compreender melhor as Leis de Deus, os desígnios da vida, amadurecendo seus valores.
Por mais intensos sejam os desafios de hoje, amanhã estes mesmos se transformarão em lembranças na mente e valores perenes no coração.

Redação do Momento Espírita.
Em 06.11.2009".


Fonte:
Post "copiado" e "colado" do blog: conscienciaevida.blogspot.com

terça-feira, 10 de novembro de 2009

LUAR - João Guimarães Rosa



De brejo em brejo,
os sapos avisam:
- A lua surgiu!...

No alto da noite as estrelinhas piscam,
puxando fios,
e dançam nos fios
cachos de poetas.

A lua madura
Rola,desprendida,
por entre os musgos
das nuvens brancas...
Quem a colheu,
quem a arrancou
do caule longo
da via-láctea?...

Desliza solta...

Se lhe estenderes
tuas mãos brancas,
ela cairá...


João Guimarães Rosa (Magma-Editora Nova Fronteira)

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

CONSCIÊNCIA CÓSMICA - João Guimarães Rosa



Já não preciso de rir.
Os dedos longos do medo
largaram minha fronte.
E as vagas do sofrimento me arrastaram
para o centro do remoinho da grande força,
que agora flui, feroz, dentro e fora de mim...

Já não tenho medo de escalar os cimos
onde o ar limpo e fino pesa para fora,
e nem deixar escorrer a força dos meus músculos,
e deitar-me na lama, o pensamento opiado...

Deixo que o inevitável dance, ao meu redor,
a dança das espadas de todos os momentos.
e deveria rir , se me restasse o riso,
das tormentas que poupam as furnas da minha alma,
dos desastres que erraram o alvo do meu corpo...

João Guimarães Rosa, Consciência Cósmica, pg 146

sábado, 7 de novembro de 2009

A TODOS






a todos os meus amigos virtuais que compartilharam esperanças comigo neste difícil período de luta e a todos que aqui estiveram emanando energias para o nosso reequilíbrio físico e emocional.
Especialmente:

obrigada Paty - ecosdojapi.blogspot.com

obrigada Pri - priguti.blogspot.com

obrigada Bia - entreatoseentretantos.blogspot.com

obrigada Haroldo - panaceahg.blogspot.com

obrigada Evelize - evesalgado.blogspot.com

obrigada Estela - estela-guardadosachados.blogspot.com

obrigada Letícia - filhosadotivos.blogspot.com

obrigada Cris - cantodecontarcontos.blogspot.com

obrigada Patrícia - luzdenossasvidas.blogspot.com

obrigada Wlady - wlacastoli.blogspot.com

obrigada Dany - danydanielle.blogspot.com

obrigada Gaspar - gaspardejesus.blogspot.com

obrigada Tossan - klictossan.blogspot.com

obrigada Eduardo - eduardomiguelpardo.blogspot.com

obrigada Eni

obrigada Doug - animaaeternus.blogspot.com

obrigada Marcelo - marcelodalla.blogspot.com

obrigada Pedro - diariosemtabaco.blogspot.com

obrigada Ruby - meucantominhaprosa.blogspot.com

obrigada Andre - blogdomensageiro.blogspot.com

obrigada Jorge - www.pontoblogue.com

obrigada Ricardo - viverpuramagia.blogspot.com

obrigada Fátima - neehh.blogspot.com

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

ATÉ... MÃE

Como é Grande o Meu Amor Por Você
Composição: Erasmo Carlos / Roberto Carlos

Eu tenho tanto
Prá lhe falar
Mas com palavras
Não sei dizer
Como é grande
O meu amor
Por você...

E não há nada
Prá comparar
Para poder
Lhe explicar
Como é grande
O meu amor
Por você...

Nem mesmo o céu
Nem as estrelas
Nem mesmo o mar
E o infinito
Não é maior
Que o meu amor
Nem mais bonito...

Me desespero
A procurar
Alguma forma
De lhe falar
Como é grande
O meu amor
Por você...

Nunca se esqueça
Nem um segundo
Que eu tenho o amor
Maior do mundo
Como é grande
O meu amor
Por você...

Mas como é grande
O meu amor
Por você!...

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

SALMO 23


O Senhor é meu pastor, nada me faltará.
Em verdes prados ele me faz repousar.
Conduz-me junto às águas refrescantes,
restaura as forças de minha alma.
Pelos caminhos retos ele me leva,
por amor do seu nome.

Ainda que eu atravesse o vale escuro,
nada temerei, pois estais comigo.
Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo.

Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos.
Derramais o perfume sobre minha cabeça,
e transborda minha taça.
A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me
por todos os dias de minha vida.
E habitarei na casa do Senhor por longos dias.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A QUE AMEI - Adelmar Tavares

Ela era branca, loira e fina...
Uns gestos moles de cansaço,
Como quem sonha a paz divina,
E ensaia o vôo para o Espaço...

Ingênua, como uma menina,
quando a levava pelo braço
era tão diáfana, e franzina,
que eu nem sequer lhe ouvia o passo.

Um dia a vi adormecida;
muito mais leve que na vida
havia sido - o meu amor...
Pois que da Terra se partira.
tal como o incenso, - de uma pira,
como o perfume,- de uma flor

domingo, 25 de outubro de 2009

REFLEXÃO PARA A SEMANA


A máxima lição da vida é o amor.

Sem ele os objetivos a alcançar perdem a finalidade, deixando a criatura à mercê das suas paixões inferiores.

O amor dilui as sombras dos sentimentos negativos, imprimindo o selo da mansidão em todos os atos.

Ama, portanto, tudo e todos.

Exercita-te no amor à natureza,

Que esplende em Sol, ar, água, árvore, flores, frutos, animais e homens.

Deixa-te enternecer pelos convites silenciosos que o Pai Criador te faz,

E espraia as tuas emoções por sobre todas as coisas, dulcificando-te interiormente.

Quanto mais ames, menos serás atingindo pelas farpas do mal, pois que a tua compreensão dilatada abrirá os espaços à vida, colhendo somente

os efeitos da paz.

Pelo Espírito Joanna de Angelis,Médium Divaldo P. Franco

Livro Vida Feliz.

NOITE CARIOCA - Murilo Mendes


Quem dera pudéssemos voltar ao Rio de Janeiro de 1925...

Noite da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro
tão gostosa
que os estadistas europeus lamentam ter conhecido tão tarde.
Casais grudados nos portões de jasmineiros...
A baía de Guanabara, diferente das outras baías, é camarada,
recebe na sala de visita todos os navios do mundo
e não fecha a cara.
Tudo perde o equilíbrio nesta noite,
as estrelas não são mais constelações célebres,
são lamparinas com ares domingueiros,
as sonatas de Beethoven realejadas nos pianos dos bairros distintos
não são mais obras importantes do gênio imortal,
são valsas arrebentadas...
Perfume vira cheiro,
as mulatas de brutas ancas dançam nos criouléus suarentos.

O Pão de Açúcar é um cão de fila todo especial
que nunca se lembra de latir pros inimigos que transpõem a barra
e às 10 horas apaga os olhos pra dormir.



Bom fim de semana

sábado, 24 de outubro de 2009

O LAÇO DE FITA - Castro Alves

Não sabes crianças? 'Stou louco de amores...

Prendi meus afetos, formosa Pepita.

Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita.
Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,

Formoso enroscava-se
O laço de fita.
Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro

Num laço de fita.
E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita!

Meu Deus! As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita.
Há pouco voavas na célere valsa,

Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...

Teu laço de fita.
Mas ai! findo o baile, despindo os adornos

N'alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
No laço de fita.
Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova... formosa Pepita!

Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
Teu laço de fita.

Fonte: www.dominiopublico.gov.br

terça-feira, 20 de outubro de 2009

APRENDER - William Shakespeare

"Depois de algum tempo você aprende a diferença,
A sutil diferença entre dar uma mão e acorrentar uma alma,
E você aprende que amar não é apoiar-se
E que companhia nem sempre significa segurança,
E começa aprender que beijos não são contratos,
E presentes não são promessas.

E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante,
Com a graça de um adulto, e não com a tristeza de uma criança
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
Porque o terreno de amanhã é incerto demais para os planos,
E o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

Aprende que falar pode curar dores emocionais
Descobre que se leva anos para construir uma confiança
E apenas segundos para destruí-la.
E que você pode fazer coisas em um instante,
Das quais se arrependerá pelo resto de sua vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer
Mesmo a longa distância,
E o que importa não é o que você tem na vida,
Mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

Aprende que não temos que mudar de amigos
Se compreendermos que os amigos mudam,
Percebe que o seu melhor amigo e você
Podem fazer qualquer coisa ou nada
E terem bons momentos juntos.

Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que o ame
Não significa que esse alguém não o ame com tudo que pode
Pois existem pessoas que nos amam
Mas simplesmente não sabe como demonstrar ou viver com isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém
Algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo
Aprende que com mesma severidade com que você julga
Você será em algum momento condenado.

Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido,
O mundo não pára para que você o conserte,
Aprende que tempo é algo que não pode voltar para trás,
Portanto, plante seu jardim e decore sua alma,
Ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

E você aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte,
E que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
E que a vida realmente tem valor,
E que você tem valor diante da vida.
E você finalmente aprende que nossas dúvidas são traidoras
E nos faz perder o bem que poderíamos conquistar,
Se não fosse o medo de tentar..."

domingo, 18 de outubro de 2009

REFLEXÃO PARA A SEMANA



" O Homem nem sempre sabe como desenvolver
o sentimento do verdadeiro amor. Ele pode não
conseguir transmitir esse sentimento vital da
maneira correta, e assim não tem uma recíproca
satisfatória e da maneira certa. O cansaço do
mundo é a resposta da sua alma"




Fonte: (PW 004)

VOU ME EMBORA PRÁ PASÁRGADA - Manoel Bandeira

E por causa do post anterior eu...




... Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui eu não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d’água.

Pra me contar as histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para a gente namorar

E quando eu estiver triste mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

- Lá sou amigo do rei

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

sábado, 17 de outubro de 2009

ARG, ARG E ARG...

Diga-se de passagem que nada se altera no meu relógio biológico quando entramos no horário de verão, mas eu detesto com todas as minhas raivas este bendito período. É como se eu levasse um murro a cada dia que nasce...

Que RAIVA!!!

NÃO TE RENDAS JAMAIS - Eduardo Alves da Costa

Procura acrescentar um côvado

à tua altura. Que o mundo está
à míngua de valores
e um homem de estatura justifica
a existência de um milhão de pigmeus
a navegar na rota previsível
entre a impostura e a mesquinhez
dos filisteus. Ergue-te desse oceano
que dócil se derrama sobre a areia
e busca as profundezas, o tumulto
do sangue a irromper na veia
contra os diques do cinismo
e os rochedos de torpezas
que as nações antepõem a seus rebeldes.
Não te rendas jamais, nunca te entregues,
foge das redes, expande teu destino.
E caso fiques tão só que nem mesmo um cão
venha te lamber a mão,
atira-te contra as escarpas
de tua angústia e explode
em grito, em raiva, em pranto.
Porque desse teu gesto
há de nascer o Espanto.

CONTO DE FADAS - Florbela Espanca

Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o ungüento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras de uma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é d'oiro, a onda que palpita.

Dou-te comigo o mundo que Deus fez!
- Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A Princesa do conto: “Era uma vez...”

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

ESTAR EM SI - Fernando Carrara


Será que você sabe realmente quem você é?
Muitas vezes estamos dando o melhor de nós, mas não estamos satisfeitos com o que conseguimos.
Isso acontece porque quando não nos conhecemos interiormente, o melhor de nós é muito pobre, muito vazio.
Muita gente olha para os filhos, esposa, bens materiais e acha que a resposta está neles.
Quando isso acontece, sua imagem perde a referência, você vira personagem da vida alheia. Começamos a inventar desculpas para nossas impossibilidades.
Você começa a estar em si quando percebe que tudo na sua vida depende de você, sua felicidade, sua emoção e sua razão.
Estar em si é encontrar paz nos momentos difíceis da vida, é silenciar num momento de incompreensão do outro.
É aceitar e compreender a visão de vida de cada pessoa, entender que todos somos iguais sim, mas com pontos de vista e escolhas diferentes.
Estar em si é não ter medo de demonstrar emoção, de chorar quando sentir vontade, com medo que as pessoas achem que você é fraco.
É sentir na alma a decepção, mas ter a consciência de que o mundo não acabou.
É entender que cada experiência é uma nova lição.
É aprender a curtir ao máximo as pessoas que amamos, pois a perda é inevitável.
É ter a humildade para reconhecer os erros, e a sabedoria para crescer com eles.
É não cobrar atitude de pessoas que você sabe que não estão preparadas para tal.
É dar uma chance a si mesmo em cada novo desafio, e entender que desafios são degraus de subida e não barreiras que devem ser derrubadas.
É entender que o fracasso não existe, mas sim, que você aprendeu que aquela maneira de agir não funciona.
Quem está em si mesmo ama livremente, sem cobranças, protegendo suavemente, sem esperar nada do outro, a não ser sua felicidade.
Quem está em si mesmo, sabe que antes de amar o outro, precisa amar-se.
É saber que não são os outros que lhe magoam, mas sim, que você se deixa magoar.
É prosseguir sempre, é crescer sempre, é aprender sempre, tendo a humildade suficiente para enxergar e respeitar as diferenças de comportamentos daqueles que não estão no mesmo caminho.
É saber que apesar de tudo, apesar da hipocrisia de muitos, apesar do medo de amar e ser amado, apesar de muitos prenderem seus sentimentos mais puros em nome da moral e bons costumes, apesar de todas as ilusões que as pessoas enfrentam e vivem, a vida vale a pena sim. Estar em si mesmo é ter a real convicção da própria vida, da vida das pessoas, do amor que esta envolta dos corações deprimidos procurando uma brecha para brilhar sua luz e ascender para um novo mundo.
O seu mundo.

Fonte: Minha Vida em 11/09/2009

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

BLOGAGEM COLETIVA - Dia do Professor


Ser professor é...
Construir castelos.
Não só castelos mágicos, belos e grandiosos.
Mas castelos fortes, com bases firmes.
Capazes de resistir ao tempo, às tempestades...
Às guerras e aos conflitos.

É ser capaz de enxergar longe.
Ver além do que se possa imaginar.
É sentir e esperar sempre...
Que tudo embora não seja perfeito.
Transforma-se em coisas belas,
Significantes e edificantes.

Ser professor é acalentar sonhos.
Realizar desejos, mostrar caminhos.
Partilhar alegrias...
Conviver com as tristezas.
Transformar planos em realidade.

É ver nas entrelinhas.
Buscar o que está lá no fundo guardado...
Trancado, acanhado e transformá-lo...
Em grandes conquistas e realizações.

O professor semeia e constrói um mundo...
De magia, beleza, sonhos e conhecimento.

Conceição Chaves/ São José dos Campos - SP - por correio eletrônico



Veja
:http://ponderantes.blogspot.com/2009/09/professores-do-brasil-blogagem-coletiva.html

HELENA, HÁ 80 ANOS - Afonso Romano de Sant anna


Há algumas vantagens em ter certa idade.
Você não maneja o twitter como um adolescente, mas pode dizer:
Conheci Helena Antipoff.
Isso não é pouca coisa.
A idade também é uma tecnologia.

Acabo de descobrir que 2009 tem alguma coisa a ver com 1929.
Não, eu não havia nascido ainda, mas foi em 1929, há 80 anos, que Helena Antipoff aceitou o convite para trocar Genebra, onde trabalhava com Eduard Claparede, por Belo Horizonte.
Ela poderia ir para o Egito, onde também a queriam. Mas aceitou o chamado do governo Antônio Carlos, e o ensino em Minas nunca mais foi o mesmo.

Estou lendo uma entrevista virtual com Helena Antipoff, que Rogério Alvarenga fez, extraindo suas palavras de livros e entrevistas.
Vou lhes garantir uma coisa: se alguém se dispusesse a escrever a biografia detalhada dessa russa excepcional, uma biografia minuciosa como essa que Benjamin Moser fez de Clarice Lispector, e que acaba de lançar nos Estados Unidos com grande êxito; se alguém recuperasse, num livro, a vida épica, dramática, lírica e exemplar de Helena Antipoff, teríamos o roteiro de magnífico filme, que retraçaria também a própria história do século 20: Rússia, Europa e Brasil. Mãos à obra, roteiristas de Minas!

Aí está a história de seu pai – general do czar Nicolau II, primeiro aluno da Academia Militar, mas que acabou consertador de sapatos num lugar qualquer da Rússia.
Aí está narrada a trajetória da jovem Helena, que, tendo ido estudar em Paris, na Sorbonne, largou tudo para procurar o pai, caído em desgraça no caos revolucionário soviético. (Isso é mais emocionante que o cinematográfico O resgate do soldado Ryan.).
Aí estão também as peripécias para salvar e manter o marido, Victor, perseguido pelo governo e exilado em Berlim.
Aí está narrado o período de fome e miséria, quando Daniel, filho de Helena com Victor, foi exposto na escola de medicina russa como exemplo de raquitismo.

E, no entanto, essa mulher excepcional, em plena tragédia do comunismo russo, consegue iniciar seu trabalho de educação de delinquentes, como eram chamados jovens perdidos nos bosques tosquiados como cordeiros .
"É difícil imaginar o que passei no período de 1917 a 1921 – diz ela.
Catava-se resina de árvore para saciar a fome.
Armadilhas para pegar algum coelho".
É difícil imaginar, penso eu, que intelectuais do mundo inteiro tenham, no século 20, iludido-se com a tragédia soviética.
Vão dizer: o regime do czar era um horror.
Mas não se combate um horror com outro horror, ou um erro com outro erro.

E Helena chega a Minas.
Aqui, um outro capítulo dessa vida romanesca, do Mar Báltico a Ibirité.
Uma geração privilegiada a espera.
E ela vai citando Marques Lisboa, Jeane Milde, Alda Lodi, Arduino Bolivar, José Lourenço, Alaíde Lisboa, Lúcia e Mário Casassanta, Guilhermino César, Fernando Magalhães Gomes, Lincoln Continentino, padre Negromonte, Olga Ullman, Elza de Moura. Sem contar Abgard Renault e Drummond, o qual também escreveu sobre ela.

E ela narra seus primeiros dias naquela Belo Horizonte de 80 anos atrás:
"Montei também meu próprio ritmo pessoal. Ao chegar à casa, vindo do trabalho, ia me deitar às 21h30.
Das 23h às 4h, estudava e preparava aulas.Dormia das 4h às 6h, quando me preparava para chegar à escola às 7h.
Pegava o bonde e descia na porta da escola.
Tudo calmo.
A cidade tinha 200 mil habitantes".

Há pessoas que fazem história.
Elegante, culta, simples, bem me lembro dela nas famosas festas do milho, na Fazenda do Rosário.
Seu filho Daniel, também brilhante e modesto, deixou depoimentos sobre ela.
Mas há muito, muito mais a contar.

Escritores, roteiristas, mãos à obra!
Pois uma personagem maravilhosa habitou algum tempo entre nós!
Ter Helena Antipoff no Brasil e em Minas foi um luxo.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

REFLEXÃO PARA A SEMANA




"A atitude correta e madura para decidir é saber
o que vocês querem; saber as consequências
envolvidas e perceber que vocês não podem ter
tudo o que querem na esfera terrestre porque
toda alternativa tem um preço ou uma
desvantagem".

Fonte: (PW 033)

E PARA AS CRIANÇAS É TUDO OU NADA...


É big, é big, é big, é big, é big...
É hora, é hora, é hora, é hora, é hora...
Ratibum
Crianças, crianças, crianças!

E para completar " pesquei", "copiei" e "colei"do blog mammysblogs.blogspot.com , este texto abaixo:

Boas idéias:

recicle,
entre no parque,
pule para dentro de poças,
aprenda algumas constelações,
aprenda os nomes de vegetação local,
voluntariado,
observe as nuvens,
plante um jardim,
asse pão,
deixe oferendas,
tenha o altar para as crianças,
fale com as arvores,
dance,
toque tambor,
brinque,
cante,
arrume para Noel chegar no Solstício,
arrume pro coelho chegar em Ostara,
escute suas crianças,
chore,
vá acampar,
adote um peru durante novembro ou um peru ou leitão em dezembro,
adote uma margem de estrada,
faça pilhas de pedra,
nade nos lagos e rios,
ria,
pise e grite,
leia mitos,
escreva poesia,
faça um livro,
arrume algo para colorir sobre a natureza,
empine uma pipa,
pintura de dedo,
leve suas crianças para votar com você,
abertamente discuta políticas,
conheça seus vizinhos,
faça uma festa do chá,
crie um jogo de "poções",
vá para a biblioteca,
conte histórias,
faça um espetáculo de boneco,
use cloth bags quando for fazer compras,
fale com suas crianças,
construa um castelo de areia,
respire,
coma flocos de neve,
conheça os professores deles,
os ajude com a lição de casa,
não os deixe passar muito tempo fazendo a lição de casa,
deixe-os brincar do lado de fora,
desligue a televisão,
sente nos bosques e só observe quietinha,
diga eu te amo,
faça um "feitiço contra o bicho papão",
finja,
procure por anéis de fada,
faça água de lua,
tire sonecas,
reparta,
deixe-os ajudar no planejamento de rituais,
ensine tolerância,
use de novo,
faça bastões,
faça uma bolsa especial para ferramentas de magia ou brincadeiras,
abraços,
inclua suas crianças,
faça excursões à fazendas,
não vá para o circo se eles tiverem animais,
honre as diferentes fases da infância com um ritual ou com festejos,
respeite suas crianças,
ensine-lhes respeito,
fale sobre sentimentos,
conheça os amigos deles,
pergunte e responda,
jamais minta,
encoraje-os a perguntar,
dê graças,
os alimente com comida saudável,
evite excesso na mochila,
torne os erros uma oportunidade para aprender,
leia para eles,
acredite em magia,
arrume tempo para suas crianças,
elogie suas realizações,
ajude-lhes a estabelecer metas,
procure seus interesses,
introduza culturas diferentes,
coma comida étnica,
seja um bom exemplo para suas crianças,
cubra-os na cama antes de dormir,
tenha um dia preguiçoso com eles,
cave na areia,
explore vida selvagem no quintal,
não espere que a criança seja um pequeno adulto,
deixe-o ser criança,
ensine-lhes a caminhar no caminho dos antigos,
ensine-lhes a fazer seu próprio caminho".

As frases foram adaptadas do texto original.

domingo, 11 de outubro de 2009

EU HOJE ESTOU...


assim...







e,

assado....

O TEMPO QUE FOGE - Ricardo Gondim


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói até o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, sobre assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres, orgulho, e mentiras de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturas.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, sabe que é melhor acertar, mas se errar, admite e tenta consertar.
Não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.
Pessoas que amam e respeitam seus semelhantes.

O essencial faz a vida valer a pena.
E, para mim, basta o essencial !

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O BICHO - Manoel Bandeira


Vi ontem um bicho

Na imundície do pátio

Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,

Não examinava nem cheirava:

Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,

Não era um gato,

Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

RUDOLF STEINER

Temos que erradicar da alma todo medo e terror do que o futuro possa trazer ao homem.

Temos que adquirir serenidade em todos os sentimentos e sensações a respeito do futuro.

Temos que olhar para frente com absoluta equanimidade para com tudo que possa vir.

E temos que pensar somente que tudo o que vier nos será dado por uma direção mundial plena de sabedoria.

Isto é parte do que temos de aprender nesta era, a saber: viver em pura confiança. Sem qualquer segurança na existência; confiança na ajuda sempre presente do mundo espiritual.

Em verdade, nada terá valor se a coragem nos faltar.

Disciplinemos nossa vontade e busquemos o despertar interior todas as manhãs e todas as noites.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

REFLEXÃO PARA A SEMANA

"Não são apenas aquelas características comumente
chamadas faltas ou defeitos que são um obstáculo para
você, e que portanto indiretamente fazem mal aos outros,
mas também os seus medos, que não são geralmente
considerados defeitos. Você não se dá conta de que os seus
medos causam um gande dano, não apenas na sua própria
vida, mas também na vida de outros. Eles também ocultam
a sua luz de amor, compreensão e verdade".

Fonte: (PW 026)

A CARROÇA VAZIA




"Certa manhã o meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque.

Deteve-se subitamente numa clareira e perguntou-me:
- além dos pássaros, ouves mais alguma coisa?
Apurei os ouvidos e respondi: estou a ouvir o barulho de uma carroça.

Isso mesmo, disse o meu pai, de uma carroça vazia.

Perguntei-lhe: como sabe que está vazia, se ainda a não vimos?

- Ora, é fácil! Quanto mais vazia está a carroça, maior é o barulho que faz.


Cresci e hoje, já adulto, quando vejo uma pessoa a falar demais, aos gritos, tratando o próximo com absoluta falta de respeito, prepotente, interrompendo toda a gente, a querer demonstrar que só ele é dono da verdade, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai a dizer: - quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz"!

domingo, 4 de outubro de 2009

PRECE DE CÁRITA



"Deus, nosso Pai, que tendes poder e bondade, dai força àquele que passa pela provação, dai luz àquele que procura a verdade, ponde no coração do homem a compaixão e a caridade.

Deus, dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.

Pai, dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai.

Senhor, que a Vossa bondade se estenda sobre tudo que criastes.

Piedade, meu Deus, para aquele que Vos não conhece, esperança para aquele que sofre. Que a Vossa bondade permita aos Espíritos consoladores derramarem por toda a parte a paz, a esperança e a fé.

Deus, um raio de luz, uma centelha do Vosso amor pode iluminar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores acalmar-se-ão; um só coração, um só pensamento, subirão até Vós, como um grito de reconhecimento e amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh! poder, oh! bondade, oh! beleza, oh! perfeição, e queremos de algum modo alcançar a Vossa misericórdia.

Deus, dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão, dai-nos a simplicidade que fará das nossas almas o espelho onde se deve refletir a Vossa imagem".

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

PARA RIR e PENSAR: Avós são o máximo


Perguntaram a uma menina de nove anos o que ela gostaria de ser quando crescesse. Ela respondeu:
Eu gostaria de ser avó.

Ao ser interrogada sobre o por quê dessa idéia, ela completou:
Porque os avós escutam, compreendem. E, além do mais, a família se reúne inteirinha na casa deles.

E a menina continuou:
Uma avó é uma mulher velhinha que não tem filhos.
Ela gosta dos filhos dos outros.

Um avô leva os meninos para passear e conversa com eles sobre pescaria e outros assuntos parecidos.

Os avós não fazem nada, e por isso podem ficar mais tempo com a gente.

Como eles são velhinhos, não conseguem rolar pelo chão ou correr. Mas não faz mal.
Nos levam ao shopping e nos deixam olhar as vitrines até cansar.
Na casa deles tem sempre um vidro com balas e uma lata cheia de suspiros.

Eles contam histórias de nosso pai ou nossa mãe quando eram pequenos, histórias de uns livros bem velhos com umas figuras lindas.

Passeiam conosco mostrando as flores, ensinando seus nomes, fazendo-nos sentir seu perfume.

Avós nunca dizem depressa, já pra cama ou se não fizer logo vai ficar de castigo.

Quase todos usam óculos e eu já vi uns tirando os dentes e as gengivas.

Quando a gente faz uma pergunta, os avós não dizem: menino, não vê que estou ocupado ?
Eles param, pensam e respondem de um jeito que a gente entende. Os avós sabem um bocado de coisas…
Eles não falam com a gente como se nós fôssemos bobos. Nem se referem a nós com expressões tipo "que gracinha" , como fazem algumas visitas.

O colo dos avós é quente e fofinho, bom de a gente sentar quando está triste.

Todo mundo deveria tentar ter um avô ou uma avó, porque são os únicos adultos que têm tempo para nós.

Autor Desconhecido