quinta-feira, 11 de junho de 2009

UM LONGO POST MUITO ESPECIAL , CHEIO DE BOAS LIÇÕES - HOMENAGEM

Quando nossos filhos eram menores foram recebidos pelas Escolas Pólen e Lume.
Bom, meu garotinho caçula não falou antes dos 3 anos completos e quem o acolheu nesta época em que ele não se fazia entender foi a tia Lúcia Elena que se desdobrou em cuidados carinhosos, firmes e especiais carregados de um profundo amor que enxergávamos saltando de seus belos, profundos e penetrantes olhos azuis.

Lúcia, obrigada prá sempre, você mostrou ao meu grande menino que ele pode confiar em pessoas que não fazem parte de seu convívio diário.

Agora, vou publicar o texto com o qual ela o presenteou, no dia de seu 3o. aniversário.

Ah! Antes de prosseguir quero informar, com orgulho que o Samuel se transformou em um tagarela de marca maior relatando com precisão os acontecimentos vividos mesmo antes dos 2 anos de idade.

O Rei Sábio
Era uma vez um rei, muito sábio e bom. Tanto ele sabia que o chamavam "O Sábio". Ele vivia num belo castelo, e, correto como era, andava por caminhos retos.
Em seu reino, o povo era feliz e o rei era respeitado por todos. Ele ensinava como cuidar da terra; como plantar, semear e colher os frutos para alimentar a todos; como cuidar dos pobres e doentes e como ajudar a educar as crianças, para que elas se tornassem pessoas boas e justas.
Quando havia brigas e maldades ele sabia como resolvê-las e como devolver a paz a seu povo.

Perto deste reino, havia uma floresta escura onde os caminhos não eram retos. Quem entrava nela podia perder-se, porque lá havia muitos desvios, contornando altas pedras, rochas e atalhos que não levavam a lugar algum. Diziam que nela havia um grande tesouro escondido, e muitos entraram nela e não voltaram.
O Rei Sábio e sua bela Rainha desejavam muito ter um filho. Mas a rainha morreu ao dar a luz a um lindo menino, e este não aprendeu a falar, vivia mudo. Os mais famosos médicos do reino não souberam curá-lo. Os olhos do pequeno príncipe sorriam quando estava alegre e choravam quando estava triste, mas ninguém ouvia a sua voz, e ninguém podia saber que este menino mudo ouvia o que as pedras diziam, o que as plantas cantavam e o que sonhavam os animais, e que também percebia se havia luz e escuridão no coração das pessoas ao seu redor.
Será que nunca saberemos dos segredos que este príncipe guardava em seu coração? Será que ele nunca irá contar o que as pedras lhe dizem, o que as plantas lhe contam e o que sonham os pássaros, os peixes e os bichos todos?
Numa noite de lua cheia, o rei passeava em seu jardim, pensando em seu filho mudo, e eis que ele ouviu o vento sussurrando nas folhas das árvores, e em seus ouvidos ressoaram as palavras:
"Procure a voz de seu filho na gruta dos sete sons".
Bem de madrugada, com os primeiros raios de sol iluminando o dia, o Rei Sábio partiu a procura da gruta dos sete sons. Sem medo, ele penetrou na floresta escura, e o grande desejo de achar a voz de seu filho era como uma luz em seu coração, indicando-lhe o caminho certo. Atento a qualquer som, ele alcançou o vale estreito, entre altas montanhas e penhascos que escondiam o sol. Ele ouvia o canto da cachoeira, o grito dos pássaros, o sussurro do vento, o farfalhar das folhas secas, o rolar das pedras debaixo dos seus pés, e muitos outros sons ecoavam nas rochas por todo lado. Ele estava no vale dos ecos e, numa curva do caminho, abriu-se a gruta onde todos os sons se juntavam num ressoar ensurdecedor.
A gruta era guardada pelo Dragão do Ruído que começou a gritar com sua voz assustadora:
É você que esconde a voz de meu filho, o príncipe"?
O gigante soltou uma gargalhada terrível que sacudiu o vale com um grande tremor, rachando e partindo as pedras. O rei, aturdido pelo grande ruído estrondoso, ficou parado sem poder se mexer e, com muito esforço exclamou:
"Eu quero achar a voz de meu filho, o príncipe".
Outra gargalhada do gigante ressoou pelo vale com grande estrépito, que a grande pedra que ocultava a gruta partiu. Uma chuva de pedras soltas caiu e machucou o rei, mas ele se manteve firme, sentindo que uma força nova brotava em seu coração, que resistia ao medo e ao ruído.
E, mais uma vez, o rei disse com voz firme:
"Eu quero achar a voz de meu filho, o príncipe"!
E a terceira gargalhada do Gigante do Ruído fez abrir a rocha maior, e o estrondo rugia como mil trovões enfurecidos. O rei desmaiou e, quando voltou a sí, viu que o gigante havia sumido, que na gruta brilhava uma luz que emanava de uma harpa dourada de cordas prateadas. O sussurro do vento ecoava no seu ouvido, dizendo:
"Toque as cordas da harpa até achar a voz de seu filho, o príncipe"!
O rei se aproximou da harpa dourada de cordas prateadas e começou a tocar uma corda após a outra, procurando a voz de seu filho, o príncipe. Ele tocou e tocou e tocou... Seus dedos doíam e sangravam, mas ele continuou tocando, uma corda após outra. E eis que o rei tocou numa corda fina e brilhante que começou a cantar:
"Leve-me consigo, eu sou a voz de seu filho, o príncipe"!
Emocionado, o rei soltou a corda brilhante da harpa e, o mais depressa que pôde, voltou ao castelo.
O príncipe veio correndo ao seu encontro e, abraçando-o disse com voz clara e sonora: "Obrigado, pai querido, por ter trazido minha voz! Mas, o senhor está machucado, seus dedos estão sangrando: deixe-me cuidar de suas feridas, eu quero curá-lo, o senhor precisa descansar"...
Tal como a água de uma nascente, brotavam as palavras da boca do príncipe. Depois de passar tantos anos só ouvindo os segredos da natureza, ele tinha tanto para contar...! Das pedras, das plantas, dos animais e dos homens ele aprendera os segredos da Mãe Natureza.
O príncipe cresceu, e quando o rei, seu pai, morreu, ele se tornou o Novo Rei Sábio que levou o povo a estudar os Segredos da Natureza e a trilhar os caminhos da bondade e da beleza. Com sua voz clara e sonora ela cantava a Canção Mágica, que falava de tudo que ele aprendera dos Segredos da Natureza.
Ele nunca esqueceu o que seu pai lhe ensinara: Ser corajoso e não vacilar em meio de qualquer perigo.


Samuel,
Que seus caminhos sejam guiados pelos Santos Anjos de luz!
Lúcia Elena dez/2006




4 comentários:

  1. Ei, Kyria!

    Eu desejo que você ame sempre! Sempreeee!...

    Um beijoooooo.

    :)

    Pedro Antônio

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  2. que coisa linda! espero que seu príncipe espalhe sempre coisas belas assim por aí, como você faz.

    bj

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  3. Fiquei encantado, simples e perfeito em soma, palvras, gestos, reconhecimento, gratidão e o milagre de ver cor no ou para o futuro, começa certo e com ou no exemplo dos exemplos, belo e tocante história.
    Valeu pelo olhar lançado sobre o simples, será tão ou tanto assim? Kíria beijo grande á toda família.

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Obrigada por deixar o seu jeito.