domingo, 7 de junho de 2009

50´s ...QUEM TE VIU, QUEM TE VÊ... Marli Gonçalves

Jogando fora deveres, adquirindo direitos, criando regras e negando verdades, simplificando os passos, garantindo certezas. O melhor é ser uma história, para que o tempo que passou, e o que virá, se eternizem. Na estrada, outros 50 virão.

Estou aqui tentando frear, mas não consigo. Derrapa. Fez até marquinha de solado no chão. Está chegando mesmo mais uma curvinha de minha vida. Resolvi encarar. A gente vive em décadas, e descasca. Os primeiros 10, chegou no 20, correu para o 30, driblou o 40! 50, Gol! Igual camaleão, só que ao invés de mudarmos de cores, mudamos nossas camuflagens de acordo com outros quinhentos, incluindo os financeiros, para sobreviver. Cortamos os cabelos, cobrimos as tatuagens, piercings e excessos só no fim de semana, engordamos, emagrecemos, grisalhamos e, fundamental, parecemos ouvir: siga o Exército! Perfile-se.

Sou como sou para poder ser um pouco rebelde, sempre quis ter esse direito, que parece os artistas têm, quase uma transgressão permitida e até esperada. É uma espécie de liberdade literária. Se tivesse tido que servir ao Exército, sei não, penso que desertaria. Sempre achei meio absurdo, embora entenda as mulheres que o procuraram. Acho que entendo mais as que procuraram a Marinha (e os marinheiros) ou a Aeronáutica (e os ares).

Hoje, comparando esses anos todos de minhas particularidades, digamos assim, acho que estou melhor. Ou pior, dependendo do ângulo. E da modéstia. Decida você, que eu tenho mais o que fazer de agora em diante. Poderia estar muito melhor, talvez, se tivesse sido mais mansa. Mas se mais mansa tivesse sido, poderia não estar viva, ou não ter o que contar, do que me orgulhar e orgulhar alguém. É tudo mais difícil para quem não é manso, não é casado, não é usual, não é da família real, não tem sobrenome sonoro, não vem de linhagem. Ultimamente as coisas não andam muito simples nem para os morenos e morenas, também. Somos o meio-termo. Qualquer dia quando perguntarem minha cor, responderei: "Meio-termo, sem cotas". Posição política: "Libertária". Credo: "Todos".

Pior, o tempo passa e chegam pesadelos agora povoados por hordas de loiras tomando o mundo de assalto. Já reparou o perigo? Fique de olho aberto. Acordo suando, até meio tonta de ouvir tanta vozinha fina. O perigo é real: viram a passeata que um monte delas fez na Letônia? Aqueles peitões, cabelões, caras e bochechas rosadas, bem desenvolvidas. Todas de rosa. Um pesadelo. E se dispararem mísseis?

Mas, com loiras, com verdes, e até com amarelos assanhados nos impondo o terror, lá vamos nós nesta ladeira da vida. Nunca curti fazer festa, porque na hora não quero ir, quero fazer outra coisa, e aniversário é dia normal, ou de sumir, como tenho amigos que conseguem fazer. Lá vamos nós – cada camada, um balanço. O que fizemos de nossa infância, como foi a adolescência e como saímos dela errando, acertando, batendo cabeça. Decidiu certo? Errado? Emoções que vivi. Vícios que venci. Inimigos que derrubei. Amigos que feri. Corações que parti, tristezas que me moldaram, alegrias que me levantaram. Visões que tive, de um dia melhor, decepções com humanos, castelos desmanchados, príncipes vilões. Lascas arrancadas, cicatrizes. E uma sabedoriazinha qualquer, de troco, que isso é muito bom. E saber que o ídolo, Prince, está na mesma. Será que ele pira nisso?

No circo, malabarista, equilibrista, trapezista, palhaça e domadora. No jogo, as cartas embaralhadas. Pronto, abri as comemorações e espero que elas durem essa década e as próximas, que eu ainda tenho muita curiosidade em saber o que vai acontecer por aqui. Deus me presenteia de vez em quando, de uma forma como se me tocasse, suavemente. Peço a ele apenas espaço para aprender, forças para conseguir, ímpeto para ultrapassar. Já sofri muito e passo por poucas e boas. Nesta passarela já desfilei vestida de baiana, de índia, de operária, de mulher, de travesti, de gueixa e de guerreira. De fada e de bruxa. De trouxa e de esperta. De rainha e de escrava. Conserva, Senhor, meus pequenos bens, meus grandes amores, e que eles jamais me esqueçam, e que eu ainda seja a melhor, a mulher!

Já posso ter vontade de gritar, de dançar, de chorar, de sorrir, de brigar, e de amar. E de esquecer de fazer tudo isso, sem dar satisfação. Você sabe: difícil é não ter crise, que é igual quando a gente cai e raspa o joelho e fica ardendo. Não é assim, fácil, como soprar machucado, passar 50 anos, passar qualquer barreira. Mas, quer saber? Isso já não é mais problema meu. Superei. Passei. Cheguei na boa ideia. Estou em outra. Que venham!

São Paulo, meia-vida, meio ambiente cheio de onda, 2009.


Marli Gonçalves, jornalista, morena. Espero poder ajudar, contando como sinto. Poderia reclamar de muita coisa, mas prefiro dizer que é preciso clamar para que as coisas mantenham graça, mantenham vida. Outro dia estranhei assistir a um show de jazz, de uma diva. Faltou o ar da noite, a fumaça, o dlindlin das pedras de gelo. Que tenhamos academias, mas que preservemos os cabarets. Nem oito nem oitenta. O infinito.


Fonte: www.jaymecopstein.com.br

sexta-feira, 5 de junho de 2009

HAHA BEM FEITO, QUEM MANDOU?

Não tenho o costume de dormir durante o dia mas estava, estava???tão megasuperultra cansada que consegui deitar a tarde enquanto fiz uma concessão pro meu caçula: assistir TV. Antes de pegar naquele sono esquisitinho lí o livro - Caderno de rabiscos para adultos entendiados no trabalho e achei muito divertido e olha que tenho a maior dificuldade de rir de coisas do gênero mas o livro tem senso de humor e me transformei na criança que faz algo errado as escondidas e se sente vingadinha.
A autora propõe várias atividades para momentos em que o mais razoavel a ser feito é virar ameba desativando todos os neurônios,
por exemplo, um dos exercícios propostos pelo livro é:
- colorir o sapo que você acabou de engolir ( o sapo já esta desenhado). Adorei!

BUNITINHA ESTA MUSICA/ cd infantil

Sabe o que que faz
Sereia em alto mar depois que se penteia
Põe-se a cantar
Passa um marinheiro, ouve o canto e vai atrás
Sabe o que é que faz
Sereia em alto mar
Devora o marinheiro
E põe-se a cantar
Outro marinheiro ouve o canto e vai atrás
Um por um vai devorando
E os marujos perdem mais
E a sereia linda fica mais voraz
oh, oh, oh, oh...

Sabe o que que faz...

Marchinha da Sereia/ Hélio Ziskind

POIS É...

... que venha o frio e quem puder, não se esqueça de doar agasalhos pois frio na pele, nos ossos, na alma,dói.



Falta de solidariedade esfria o coração fazendo a vida gelar e doer.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

MOTIVO - Cecília Meireles


Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou se passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

VIVÊNCIA - Banda de Pau e Corda

Quem nasceu lá e viveu
Crescendo percebeu
O canto do ferreiro
Da casa do doutor
O velho mensageiro
Das cartas de amor
O homem, o vassourão
Limpando o chão da manhã
Sabe, crê e chora
Vive cada hora
No canto do ferreiro
Da casa do doutor

Quem nasceu lá e viveu
Crescendo percebeu
Viu descer o amor
No céu de cada tarde
Encontros nas esquinas
Corridos pra esconder
A moça e a canção
Deixando a graça para alguém
Sabe, crê e chora
Vive cada hora
No encontro nas esquinas
Nas tardes de amor

Quem nasceu lá e viveu
Crescendo percebeu
O sino da capela
Chamando pra rezar
As noites de domingo
As festas do lugar
As rodas de ciranda
E as cantigas de ninar
Sabe, crê e chora
Vive cada hora
No sino da capela
Nas festas do lugar

Sabe, crê e chora
Vive cada hora
Presente na lembrança
Ausente do lugar

TU TENS UM MEDO - Cecília Meireles

Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
Não ames como os homens amam.
Não ames com amor.
Ama sem amor.
Ama sem querer.
Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro.
Como se fosses amar.
Sem esperar.
Tão separado do que ama, em ti,
Que não te inquiete
Se o amor leva à felicidade,
Se leva à morte,
Se leva a algum destino.
Se te leva.
E se vai, ele mesmo...
Não faças de ti
Um sonho a realizar.
Vai.
Sem caminho marcado.
Tu és o de todos os caminhos.
Sê apenas uma presença.
Invisível presença silenciosa.
Todas as coisas esperam a luz,
Sem dizerem que a esperam.
Sem saberem que existe.
Todas as coisas esperarão por ti,
Sem te falarem.
Sem lhes falares.
Sê o que renuncia
Altamente:
Sem tristeza da tua renúncia!
Sem orgulho da tua renúncia!
Abre as tuas mãos sobre o infinito.
E não deixes ficar de ti
Nem esse último gesto!
O que tu viste amargo,
Doloroso,
Difícil,
O que tu viste inútil
Foi o que viram os teus olhos
Humanos,
Esquecidos...
Enganados...
No momento da tua renúncia
Estende sobre a vida
Os teus olhos
E tu verás o que vias:
Mas tu verás melhor...
... E tudo que era efêmero
se desfez.
E ficaste só tu, que é eterno.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

VINÍCIUS DE MORAIS


"Ah, seu eu pudesse dizer tudo que está trancado no peito, mas não posso.
Eu não posso nem chorar.
Eu acho que, se eu chorasse, iam sair pedras dos meus olhos!"

terça-feira, 2 de junho de 2009

ADOREI, OBRIGADA!!!


Fiquei muito feliz por ter presenteada carinhosamente pela Evelize do blog evesalgado.blogspot.com/ com o selo violeta.

Este selo prêmio representa as sensações que a cor violeta traz para a nossa mente e é atribuído aos blogs que trazem as sensações ligadas a cor violeta, tais como a magia,o encanto, a graciosidade,o magnetismo e tudo que nos parece mágico.

Regras:
exibi-lo no blog,
explicar as regras,
nomear os escolhidos para esta categoria e,
em seguida comunicar.

São eles:
- Eduardo - etusverde.blogspot.com/
- Gaspar - gaspardejesus.blogspot.com/
- Patrícia - ecosdojapi.blogspot.com/
- Tossan - klictossan.blogspot.com/
- Pri - priguti.blogspot.com/
- Jorge - www.pontoblogue.com/
- Andre - blogdomensageiro.blogspot.com/
- Haroldo - panaceahg.blogspot.com/
- Dany - verdenovoverde.blogspot.com/
- Edna - ednabrancalhao.blogspot.com/
- Wlady - wlacastoli.blogspot.com/
- Fátima - neehh.blogspot.com/
- Ruby - meucantominhaprosa.blogspot.com/
- Nilda - mileumacoisasdanilda.blogspot.com/
- Leila - coisas-da-bruxinha.blogspot.com/

PLANETA ÁGUA - Guilherme Arantes


Água que nasce na fonte
Serena do mundo
E que abre um
Profundo grotão
Água que faz inocente
Riacho e deságua
Na corrente do ribeirão...

Águas escuras dos rios
Que levam
A fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias
E matam a sede da população...

Águas que caem das pedras
No véu das cascatas
Ronco de trovão
E depois dormem tranqüilas
No leito dos lagos
No leito dos lagos...

Água dos igarapés
Onde Iara, a mãe d'água
É misteriosa canção
Água que o sol evapora
Pro céu vai embora
Virar nuvens de algodão...

Gotas de água da chuva
Alegre arco-íris
Sobre a plantação
Gotas de água da chuva
Tão tristes, são lágrimas
Na inundação...

Águas que movem moinhos
São as mesmas águas
Que encharcam o chão
E sempre voltam humildes
Pro fundo da terra
Pro fundo da terra...

Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água
Terra! Planeta Água...

PACIFICAR - Chico Xavier

Não perturbe. Tranquilize.
Não grite. Converse.
Não critique. Auxilie.
Não acuse. Ampare.
Não se irrite. Sorria.
Não fira. Balsamize.
Não se queixe. Compreenda.
Não condene. Abençõe.
Não exija. Sirva.
Não destrua. Edifique.
Recorde: a Humanidade é uma coleção de grupos e a paz do grupo de corações a que pertencemos começa de nós.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

UMA PAUSA NESTE MOMENTO...

Não consigo imaginar a dor que centenas e centenas de pessoas de várias partes do mundo, estão sentindo nesta e em outras horas que virão, em virtude do desaparecimento de pessoas queridas no avião da Air France. Gosto da prece de cáritas e vou oferecer a todos nós desejando MUITO CONFORTO PARA O CORAÇAO.


" Quando orardes, entrai no vosso quarto,
fechai a porta e orai a vosso Pai que está em secreto..."



Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àquele que passa pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade!

Deus, Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.

Pai, Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, e ao órfão o pai!

Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor, para aquele que vos não conhece, esperança para aquele que sofre. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte, a paz, a esperança, a fé.

Deus! Um raio, uma faísca do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.

E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.

Deus, dai-nos a força para ajudar o progresso, afim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Divina e Santa Imagem.

Assim Seja!

RECEITA - Salvino Pires Sobrinho

viaje outras estradas
respire novas paixões
plante outros ventos
sorria outras paisagens

colecione novidades
salte outros rios
caminhe mais o tempo
atravesse outras idades

ao ouvir a mesma canção

chore outra saudade

Fonte: Quatro Estações

domingo, 31 de maio de 2009

TU TU TU TUPI - Hélio Ziskind

Tu Tu Tu Tu
Tu Tupi

Todo mundo tem
um pouco de índio
dentro de si
dentro de si

Todo mundo fala
língua de índio
Tupi Guarani
Tupi Guarani

E o velho cacique já dizia
tem coisas que a gente sabe
e não sabe que sabia

e ô e ô

O índio andou pelo Brasil
deu nome pra tudo que ele viu
Se o índio deu nome, tá dado!
Se o índio falou, tá falado!
Se o índio chacoalhou
tá chacoalhado!
e ô e ô

Chacoalha o chocalho
Chacoalha o chocalho
vamos chacoalhar
vamos chacoalhar
Chacoalha o chocalho
Chacoalha o chocalho
que índio vai falar:

Jabuticaba Caju Maracujá
Pipoca Mandioca Abacaxi
é tudo tupi
tupi guarani

Tamanduá Urubu Jaburu
Jararaca Jibóia
Tatu
Tu Tu Tu
é tudo tupi
tupi guarani

Arara Tucano Araponga Piranha
Perereca Sagüi Jabuti Jacaré
Jacaré Jacaré
quem sabe o que é que é?
- ...aquele que olha de lado...
é ou não é?

Se o índio falou tá falado
se o índio chacoalhou
tá chacoalhado
e ô e ô

Maranhão Maceió
Macapá Marajó
Paraná Paraíba
Pernambuco Piauí
Jundiaí Morumbi Curitiba Parati
É tudo tupi
Butantã Tremembé Tatuapé
Tatuapé Tatuapé
quem sabe o que é que é?
- ...caminho do Tatu...

Tu Tu Tu Tu
Todo mundo tem...

PARA TOMAR CONHECIMENTO, FAVOR LER SEM JULGAR - A devolução de crianças adotadas

Agosto 31, 2008 por Rosane

Psicanalista defende que, apesar de delicado, o assunto precisa ser discutido. Compreender e aceitar os conflitos existentes na relação entre pais e filhos é o primeiro passo para contornar as devoluções.

A devolução de crianças adotadas é um tema bastante delicado e pouco comentado. Mas ele é mais freqüente do que se imagina. Para isso, a psicanalista Maria Luiza Ghirardi investigou o assunto em uma dissertação de mestrado pelo Instituto de Psicologia da USP com o objetivo de apontar algumas dificuldades encontradas pelos pais adotantes. Para ela, entender os chamados fatores de risco é uma ajuda para contornar as devoluções.Com experiência de 13 anos na área e após entrevistas com pais e mães que adotaram, a psicanalista concluiu que um dos principais fatores envolvidos, e que precisa ser refletido, é a hipervalorização da paternidade. A sociedade contemporânea tende a idealizar a relação entre pais e filhos, acreditando que tudo será impecável e não haverá conflitos. “Os pais pensam que apenas o amor basta, mas não é bem assim. As dificuldades estão sempre presentes em nossas relações, seja no contexto da adoção ou não”, diz a psicanalista. Portanto, falar mais sobre o tema é uma das alternativas para compreender os sentimentos que levam os pais adotivos a desejarem devolver as crianças. “Os conflitos também existem entre pais e filhos biológicos. Ao falar sobre as dificuldades, podemos encontrar caminhos e alternativas para situações que, muitas vezes, são vividas no isolamento e na solidão. Muitos acreditam que, ao deixar de falar sobre as dificuldades, elas deixarão de existir”, afirma Maria Luiza. Ou seja, ao aceitar os problemas, os pais se sentem mais livres para buscar ajuda, seja com psicólogos ou técnicos judiciários.

O objetivo de Maria Luiza, inclusive, é auxiliar esses profissionais a preparar os pais sobre o que realmente significa a adoção – que deve ser considerada um processo irrevogável. Para isso, é importante acolher as dúvidas deles, que geralmente iniciam o processo angustiados, por terem tentado um filho biológico e não conseguirem. “A adoção possibilita a experiência da paternidade, mas ao mesmo tempo, lembra aos pais o porquê de não terem filhos biológicos. É uma dualidade constante. Para que a criança seja efetivamente assumida, é necessário, ao mesmo tempo, lembrar e esquecer dessa questão, e nunca usar a origem da criança em momentos de conflito”, explica. Com esse acompanhamento próximo, é mais fácil evitar as devoluções, caracterizadas como sofrimento tanto para os pais quanto para as crianças.

Outro fator de risco é a demora no processo de destituição do poder familiar. Até que a criança seja completamente desvinculada de seus pais biológicos, os pais adotivos podem se sentir inseguros. “Eles podem ter receio de se ‘apegar’ à criança ou de que logo ela precise voltar para a família biológica”, diz. Um novo projeto de lei em tramitação busca diminuir o tempo de espera pela destituição, tornando o processo de adoção mais rápido e menos burocrático.

Atualmente, a Justiça permite a devolução apenas em casos de rejeição muito intensa, uma vez que a prioridade é manter a criança na família adotiva. A psicóloga também afirma que a própria criança pode não se adaptar. Mas é possível que, em alguma situação, a devolução seja a melhor saída? Maria Luiza acredita que sim. “Para a criança, pode ser melhor retornar à situação anterior do que permanecer com uma família que a rejeita, quando os conflitos atingem um nível insustentável”, diz. No entanto, para que essa rejeição seja realmente definida, é preciso uma análise cuidadosa por parte do Judiciário e é muito importante a ajuda de um psicólogo.

Fonte: Crescer

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fonte: esta postagem foi integralmente "colada" do blog diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com/

BARTOLOMEU CAMPOS DE QUEIRÓS

"Flora era como a madrugada.
Trazia no corpo da noite somada ao brilho do dia.
Era ônix molhado com a claridade do sol. Sua maneira de viver era estar entre o plantio e a colheita. Passava os dias escutando o sol, entre nuvens, para nas noites dialogar com a lua, entre estrelas. E para melhor escutar, Flora restava sempre em silêncio. Assim sendo, Flora era medianeira entre a penumbra e o mistério".



Esta é a página inicial do livro Flora do admirável e poético escritor mineiro Bartolomeu Campos de Queirós. Sou uma leitora voraz de seus livros e hoje a tarde estive relendo este que eu indico com muita segurança

sábado, 30 de maio de 2009

SÚPLICA DE CRIANÇA - Meimei


Senhor ...

Disseram os homens que me queriam tanto,
mas ao atingir-lhes a casa, não dialogaram
comigo, segundo as minhas necessidades.
Quase todos me ofereceram um berço enfeitado,
mas poucos me deram o coração.
Afirmam que devo procurar a felicidade,
entretanto, não sei como fazer isso, se os
vejo a quase todos sofrendo e rebelando-se
por não aceitarem as disciplinas da vida.
Escuto-lhes as lições de paz, contudo,
acompanho-lhes as rixas em vista de estarem
sempre exigindo o maior quinhão de recursos
da Terra. Recomendam-me buscar a alegria, mas,
muitas vezes, observo que esta misturado de
lágrimas o leite que me estendem. Erguem
palácios para mim, no entanto, entre as
paredes dessas mansões coloridas e belas,
renovam, a cada dia, reclamações e queixas
que não sei compreender, nem registrar.
Explicam que preciso praticar o perdão e ,
ao mesmo tempo, muitos me mostram como
exercitar a vingança.

Senhor !...
Que será de mim, neste grande mundo que
construíste entre as estrelas, sempre
adornado de flores e aquecido pelo Sol, se
os homens me abandonarem ?
Faze que eles reconheçam que dependo deles
como o fruto depende da arvore. E, tanto
quanto seja possível, dizer-lhes, Senhor,
que terei comigo apenas o que me derem e
que posso ser, enquanto estiver aqui,
unicamente o que eles são.

ASSIM NÃO DÁ!!!

A humilhação da pequena Maísa e a rápida reação mostram que há avanços no combate à baixaria. *Por Phydia de Athayde

Enquanto o SBT provavelmente comemorava a manutenção da audiência de seu programa dominical, média de 8,52 pontos mesmo com a proibição da participação da garotinha Maísa, a Procuradoria da República assinava um protocolo de cooperação com a campanha Quem Financia a Baixaria É Contra a Cidadania. Um episódio não é consequência direta do outro, mas ambos estão ligados e são importantes para mostrar como a sociedade brasileira tem reagido ao que vem da televisão.

Antes de ter a licença para participar do programa de Silvio Santos cassada, Maísa foi vítima de escárnio, humilhação e assédio moral perpetrados por aquele a quem carinhosa e debochadamente chama de “patrão”.

O Ministério Público do Trabalho move uma ação civil pública contra o SBT com base na proibição legal do trabalho para menores de 14 anos (exceto quando aprendiz) e por dano moral coletivo. Também pede multa de 1 milhão de reais a título de indenização, a serem revertidos para o Fundo de Amparo ao Trabalhador.

“O glamour e a exposição em comunicação escamoteiam o trabalho infantil”, diz Carlos Ely, gerente de Mobilização da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi). Ele questiona os efeitos da superexposição no intelecto da criança, mas é contra medidas extremadas. “Não é para tirar todas as crianças da tevê. É preciso resguardar todos os cuidados possíveis.”

No caso Maísa, evidentemente, faltou cuidado. Tanto as gracinhas quanto as lágrimas e gritos de horror da menina espalharam-se pela internet, fazendo dela um fenômeno da convergência digital. Mas as reações ao episódio, da opinião pública e da Justiça, devem ser vistas dentro de um processo de combate à baixaria na tevê, que começou cerca de dez anos atrás. Nesse meio-tempo, a conquista da classificação indicativa também ajudou a tornar mais claros os limites da televisão.

“O País amadureceu. Ainda que de forma precária, saímos de uma paralisação em relação à mídia e conteúdo. Não concordo que a baixaria seja algo que vai e volta. Ela tem diminuído. Graças a mecanismos legais que não existem por boa vontade, mas por pressão social. Hoje não se aceita mais qualquer lixo”, diz Ricardo Moretzsohn, representante do Conselho Federal de Psicologia na coordenação da Campanha Contra a Baixaria. Formada em 2002, a iniciativa da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados conta com o apoio de dezenas de entidades civis e é uma referência.

Qualquer cidadão pode acessar o site e denunciar conteúdo impróprio na televisão. Anos atrás, o programa Tarde Quente, de João Kleber, ficou famoso por bater sucessivos recordes de denúncias, especialmente de apelo sexual e incitação à violência, e recebeu liminares da Justiça até ser tirado do ar em definitivo, em 2005, por determinação do Ministério Público Federal. Kleber foi dispensado e alegou sofrer censura. Ainda que tenha concorrência (em graus diferentes) de Ratinho, Márcia Goldsmith, Sérgio Mallandro, Gugu Liberato, Faustão, Datena e outros, João Kleber entra para a história da televisão brasileira como o rei da baixaria.

Mesmo sem Kleber, as denúncias à campanha continuaram e hoje, não à toa, acumulam-se mais de 30 mil delas, contabilizadas a cada semestre. A partir de agora, graças ao recém-assinado protocolo de cooperação, um grupo de procuradores receberá diretamente as denúncias, encurtando o caminho entre a reclamação e uma possível ação judicial, até porque nem todas as baixarias têm efeito viral como as protagonizadas por Maísa.

“Esse é apenas mais um exemplo concreto da irresponsabilidade das empresas que recebem concessões públicas e as utilizam em razão de seus interesses comerciais”, critica o professor da USP Laurindo Leal Filho, ouvidor-geral da Empresa Brasil de Comunicação, que engloba a TV Brasil. Ele lamenta a ausência de um órgão regulador independente, capaz de monitorar e coibir os excessos da televisão. “O Ministério Público é, hoje, o único canal para colocar limites no uso sem critério das concessões públicas.”

O mero questionamento de como as empresas que recebem o direito de difundir programação televisiva se comportam é uma novidade. Apenas em novembro do ano passado aconteceu, pela primeira vez, uma audiência pública no Congresso para expor irregularidades cometidas pelas concessionárias, da exploração da outorga ao conteúdo. “Descobrimos que hoje há muito mais entidades monitorando a mídia e reivindicando que o conteúdo se justifique na renovação da concessão”, diz Beatriz Barbosa, do Coletivo Intervozes, que defende a democratização da comunicação.

Outra novidade será a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), marcada para dezembro, considerada emblemática para quem acompanha o tema. Na listagem de quais itens seriam discutidos (decididos pelo governo, empresas e sociedade civil), representantes das empresas de comunicação chegaram a pedir que o tema “conteúdo” ficasse de fora, o que foi negado. “O debate de conteúdo é a principal ponte, pois interessa a todos os movimentos sociais. O que se chamava baixaria eram, na verdade, as tevês, enquanto concessões públicas, violando direitos”, enxerga Beatriz.

O caso Maísa não terminou. O conselho tutelar de São José dos Campos (SP), onde a menina vive, a entrevistou e à família e avaliou que ela está bem, mas deve ter acompanhamento psicológico. Por sua vez, a Justiça avisa que, caso volte a passar por situações constrangedoras, o programa será reclassificado para maiores de 12 anos, exibido apenas após as 8 da noite.

“Ela não deixa de ser uma criança. É uma infância perdida e haverá um preço a ser pago, especialmente se ela for para o ostracismo”, alerta Moretzsohn. “Crianças não devem ser assediadas de maneira alguma, seja sexual, moral, por propaganda ou para alavancar audiência”, diz o psicólogo.

“No cenário internacional, vemos que a proteção dos direitos humanos é uma obrigação de toda a sociedade, inclusive das empresas de comunicação”, diz Guilherme Canela, coordenador do setor de comunicação da Unesco no Brasil. “Em relação à criança, a convenção da ONU e o ECA pregam que ela é um ser humano em situação especial de desenvolvimento. A preocupação com a comunicação social deve ser redobrada.”

FONTE: CARTA CAPITAL
Postado em Abuso Emocional, Artigos, Bons Exemplos, Estatuto da Criança e do Adolescente, Televisão, Trabalho Infantil, Ética

fonte: esta postagem foi integralmente "colada" do blog diganaoaerotizacaoinfantil.wordpress.com/

INTERROGAÇÃO???



Papai, o que é Páscoa?

-Ora, Páscoa é... bem... é uma festa religiosa!

-Igual ao Natal?

-É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na
Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressureição.

-Ressurreição?

-É, ressurreição. Marta , vem cá !

-Sim?

-Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.

-Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi
o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado.
Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu ?

-Mais ou menos... Mamãe, Jesus era um coelho?

-O que é isso menino?

Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu!
Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode
crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até
parece que não lhe demos uma educação cristã ! Já pensou se ele solta
uma besteira dessas na escola ? Deus me perdoe ! Amanhã mesmo vou
matricular esse moleque no catecismo!

-Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus ?

-É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no
catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

-O Espírito Santo também é Deus?

-É sim.

-E Minas Gerais?

-Sacrilégio!!!

-É por isso que a ilha de Trindade fica perto do Espírito Santo?

-Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é
Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe
entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora
explica tudinho!

-Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa ?

-Eu sei lá ! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de
presente ele traz ovinhos.

-Coelho bota ovo ?

-Chega ! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais !

- Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa ?

-Era... era melhor,sim..... ou então urubu.

-Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né ?

-Que dia ele morreu ?

-Isso eu sei: na Sexta-feira Santa.

-Que dia e que mês?

- (???)

Sabe que eu nunca pensei nisso ? Eu só aprendi que ele morreu na
Sexta-feira Santa e ressucitou três dias depois, no Sabado de Aleluia.

-Um dia depois!

-Não três dias depois.

-Então morreu na Quarta-feira.

-Não, morreu na Sexta-feira Santa... ou terá sido na Quarta-feira de
Cinzas ? Ah, garoto, vê se não me confunde !

Morreu na Sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como?
Pergunte à sua professora de catecismo!

-Papai, porque amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua ?

-É que hoje é Sabado de Aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do
Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

-O Judas traiu Jesus no Sábado ?

-Claro que não ! Se Jesus morreu na Sexta !!!

-Então por que eles não malham o Judas no dia certo ?

-Ui...

-Papai, qual era o sobrenome de Jesus?

-Cristo. Jesus Cristo.

-Só ?

-Que eu saiba sim, por quê?

-Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo
Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não
acha?

-Ai coitada!

-Coitada de quem?

-Da sua professora de catecismo!

Luiz Fernando Veríssimo

quinta-feira, 28 de maio de 2009

EVELYN A. ZAYDEN

" A água é a música que a terra toca.
Por onde passa toca as cordas da vida.
Seu movimento contínuo é finito.

Se não cuidarmos do seu leito,
a terra engole, o sol seca, a morte instala-se.
E nada da vida permanece."