terça-feira, 28 de dezembro de 2010

MUDE / Edson Marques

"Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa. 

Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.

Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os seus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama...
Depois, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de TV, compre outros jornais, leia outros livros. 

Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida. 
Ame a novidade.

Durma mais tarde.

Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.

Corrija a postura.

Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.

Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida.

Tente.

Busque novos amigos. 
Tente novos amores.
Faça novas relações. 

Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... 
Tome banho em novos horários. 
Use canetas de outras cores. 
Vá passear em outros lugares. 

Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes. 

Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias. 

Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. 
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.

Mude.

Lembre-se de que a vida é uma só. 

E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano. 

Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
 E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. 

Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo. 
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia
Só o que está morto não muda!

Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!!! "


 

Segue uma pequenina biografia do autor do poema uma vez que o mesmo foi pubicado anteriormente como sendo de autoria da Clarice Lispector.

Biografia: Edson Marques

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 
Edson Marques, formado em Filosofia pela USP, é um escritor e poeta brasileiro. Participou da fundação da Ordem Nacional dos Escritores.

 Prêmios Literários:

  • Vencedor do Prêmio Cervantes/Ibéria em 1993.

 Obras:

  • "Mude", 91 páginas, Ed. Original, 2006, SP.
  • "Manual da Separação", 160 páginas, Ed. Filosoft, 1998, SP.
  • "O Canto dos Poetas", antologia da Ordem Nacional dos Escritores.
  • "Beijos no céu da boca", Ed. Do Autor, 1985, esgotada.

 Ligações externas


Ícone de esboço Este artigo sobre uma biografia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.


domingo, 26 de dezembro de 2010

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

FELICIDADES



Sei que numa época, um grandioso e  resplandescente Espírito de Luz saiu de seu  jardim de harmonia e paz para plantar flores entre os homens de boa vontade e salpicar infinitas estrelas de
bondade, sabedoria, coragem, amor, tolerância, igualdade, compreensão,
no Céu e no Coração de todos.





Desejo a voces um Feliz Natal e um Recomeço de Ano repleto de reflexões e mudanças.

Beijos meus.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

VOU POR AÍ...

... até qualquer dia

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

APENAS UM PEDAÇO DE BOLO...

                                                                  

                                                                   
                                                                   Te amo,
                                                                 
                                                                 
                                                                 





                                                                Mãe valente,
                                                                                               
                                                                Mãe que luta e,
                                                                vence diferente.
                                                                Mãe que chora,
                                                                Mãe que honra,
                                                                Mãe que sofre,
                                                                Mãe que rí,
                                                                Mãe que veio,
                                                                Mãe que foi,
                                                                sem abandonar.
                                                                Mãe que partiu e,
                                                                permaneceu.
                                                                Mãe que é digna, 
                                                                Mãe que é minha,
                                                                Mãe que é dele,
                                                                Mãe que é nossa,
                                                                Mãe carinho,
                                                                Mãe preciosa,                                                                 Mãe filha,
                                                                Mãe vovó,                                                                 Mãe irmã,
                                                                Mãe mulher,
                                                                minha Mãe,
                                                                Mãe coragem,
                                                                Mãe adorada,
                                                                idolatrada,
                                                                Mãe valor,
                                                                Mãe sentida,
                                                                saudosa mãe.
Faz um ano mãe e não tenho o que "dizer". Te ofereço um pedaço do bolo e nós duas sabemos porque, espero muito que tenha satisfeito a sua vontade. Eternamente,

sua filha:

                   Kyria                                             

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

domingo, 24 de outubro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

TRAUMAS AFETIVOS

A mídia costuma divulgar as grandes tragédias coletivas, como enchentes e guerras.
Ela também trata com frequência de eventos ruidosos, a exemplo de assassinatos, assaltos e outros crimes violentos.
Entretanto, há um gênero de conduta discreta e bastante comum, que causa enorme número de vítimas.
Trata-se das lesões afetivas.
As relações humanas nem sempre se estabelecem com o critério desejável.
Movidas por carências ou mesmo por leviandade, as criaturas estabelecem vínculos sem grandes reflexões.
Elas se conhecem em variados ambientes, como no trabalho, em clubes, em bares ou mesmo pela internet.
Sem indagar da existência de real afinidade, permitem-se importantes intimidades.
O conhecimento da essência de alguém demanda tempo e convivência.
Ninguém se mostra como é em rápidos e reduzidos contatos.
Por conta da afoiteza em estabelecer vínculos, é comum o desespero em extingui-los.
Nesse jogo de conhecer, provar e descartar, as pessoas são tratadas como objetos.
Contudo, o ser humano sempre é merecedor de respeito.
Por mais que se apresente frágil e lamentável, em seus hábitos, trata-se de uma criatura de Deus.
A ninguém é lícito iludir o semelhante.
Por vezes, a criatura a quem se experimenta, no jogo dos sentidos, possui graves problemas íntimos.
Como enferma emocional, deveria ser alvo dos maiores cuidados.
Quem a despreza assume grave responsabilidade em face da vida.
As angústias que a vítima vivenciar, os atos que vier a praticar a partir dos maus tratos recebidos, serão debitados a quem lhes deu causa.
É muito importante refletir a respeito das expectativas que se suscita no semelhante.
Pouco importa que os costumes sociais sejam corrompidos e que condutas levianas pareçam comuns.
Cada um responde pelo que faz.
Quem lesiona afetivamente o semelhante vincula-se a ele.
Na conformidade da ordem cósmica, a consideração e a fraternidade devem reger o relacionamento humano.
Aquele que se afasta desses critérios candidata-se a importantes padecimentos.
Trata-se da vida a ministrar os ensinamentos necessários para a educação de cada Espírito.
Assim, ninguém lesa o semelhante sem se lesar também.
Quem provoca sentimentos de inferioridade e rejeição desenvolve complexos semelhantes.
Até que repare o mal que causou, não terá paz e nem plenitude.
Se forem muitas as lesões afetivas perpetradas, imenso será o esforço necessário para cicatrizá-las.
Convém refletir sobre isso, antes de iniciar e terminar relações, sem maiores critérios.
Afinal, será preciso reparar com esforço todo o prejuízo causado com leviandade.

Redação do Momento Espírita.
Em 07.10.2010.

domingo, 17 de outubro de 2010

CHRIS JOHNS



Adoro fotografias!!!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

TRISTE PERCEPÇÃO

Quanto engano!
de quantas desilusões é feita a vida?
Vai-se de engodo em engodo
lentamente caminhando para o nada.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

CHARLES CHAPLIN

Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,

já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,

já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,

já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,

já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!

Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!

Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante.
Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,

já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.

Já abracei pra proteger,

já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,

já vivi de amor e fiz juras eternas,
"quebrei a cara muitas vezes"!

Já chorei ouvindo música e vendo fotos,

já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!

Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!

Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é "muito" pra ser insignificante."

RUGAS IRRETOCÁVEIS - Silvana Duboc



Tenho cabelos vermelhos, pintados,
para esconder os fios brancos.

Não me lembro exatamente em que

ano eles começaram a branquear...

Tenho algumas rugas em volta dos olhos,

também não me recordo quando
elas começaram a aparecer.

Tento disfarçá-las, tantas novidades

no campo da dermatologia,
achei por bem aproveitá-las.

Do corpo não cuido quase,

só recentemente entrei para uma
academia por ordem médica.

Ele me disse que na minha

idade preciso de exercícios.

Mas falto mais do que vou,

não gosto de fazer ginástica.

Das minhas unhas cuido semanalmente,

penso que elas são uma porta de visita.

Unhas maltratadas causam

uma péssima impressão.

De uns dois anos pra cá descobri os

cremes e aí compro um aqui,
outro ali e no final não uso nenhum,
mas compro, só de olhá-los na prateleira
já percebo que as rugas se retraem.

Sou assim, vaidosa,

mas não sou em excesso,
penso que sou na medida certa,
na medida correta para uma mulher.

Enfim os anos passam e as

marcas que eles deixam em nós,
não temos como conter.

Nem pretendo isso.


Acho que cada marca que meu corpo

carrega tem uma linda história.

Às vezes me pego na frente do espelho

descobrindo uma nova ruguinha
e já me coloco a pensar o que a causou.

Depois reencontro com outra que já está lá

vincada há anos e me recordo que ela
apareceu quando perdi um grande amor.

Poderia enumerar também a história

de cada fio de cabelo branco.

Foram filhos, maridos,

amigos que colocaram eles ali.

Não quero me desfazer

de nenhuma dessas marcas,
apenas amenizá-las,
acho que mereço isso.

A vida me deve isso.


Atualmente a parte que merece mais

atenção minha tem sido a cabeça.

Tento todos os dias colocá-la no lugar,

equilibrá-la, alimentá-la
com sonhos e alegrias.

Corpo e mente caminham juntos,

se um estiver em estado lastimável o
outro provavelmente vai se deteriorar.

Não escondo minha idade,

não adiantaria falar
que tenho trinta e cinco
e apresentar uma
filha de vinte e sete.

Portanto eu confesso,

tenho quarenta e oito anos.

Metade deles, bem vividos,

a outra metade muito sofridos.

Mas é exatamente aí que está

o encanto da minha idade.

Conheci de tudo um pouco,

das lágrimas aos sorrisos e ambos me
fizeram ser essa pessoa que sou hoje.

Ficaram as rugas no rosto e na alma,

mas também ficaram sorrisos em ambos.

Minhas rugas mais bonitas são aquelas

marcas de expressão que eu
adquiri por tanto sorrir,
muitas vezes,
quando o coração chorava.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

ENTUSIASMO

Após a leitura, assista ao filme abaixo que a ilustra bem.
 

A palavra entusiasmo vem do grego e significa "ter um deus dentro de si". Os gregos eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses. A pessoa entusiasmada era aquela "preenchida" por um dos deuses e por isso poderia transformar a natureza e fazer as coisas acontecerem.  Assim, se você fosse entusiasmado por Deméter (deusa da Agricultura, chamada Ceres na mitologia romana) você seria capaz de fazer acontecer a melhor colheita, e assim por diante.  Segundo os gregos, só as pessoas entusiasmadas eram capazes de vencer os desafios do cotidiano, criar uma realidade ou modifica-la. Portanto, era preciso entusiasmar-se, ou seja, "abrigar um deus em si"!

Por isso, as pessoas entusiasmadas acreditam em si, agem com serenidade, alegria e firmeza. E acreditam igualmente nos outros entusiasmados.  Não é o sucesso que traz o entusiasmo, é o entusiasmo que traz o sucesso. O entusiasmo é bem diferente do otimismo.

Otimismo significa esperar que uma coisa dê certo.


Entusiasmo é acreditar que é possível fazer dar certo.

CAPTURANDO O VENTO

terça-feira, 5 de outubro de 2010

POIS É...


Há um ano eu tinha tanta certeza...









... não sabia que o poço não tem fundo e que difícil e doloroso ir caindo infinitamente no abismo!!!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A RESPEITO DE SEU FILHO - Divaldo Pereira Franco


Seu filho é abençoado aprendiz da vida. Não lhe dificulte a colheita das lições, fazendo-lhe as tarefas.

Seu filho é flor em botão nos verdes ramos da existência. Não lhe precipite o desabrochar, estiolando-lhe a vitalidade espontânea.

Seu filho é discípulo da existência. Não lhe cerceie a produtividade, tomando sobre os seus ombros os misteres que lhe competem.

Seu filho é lâmpada em crescimento de luz. Não lhe coloque o óleo viscoso da bajulação para que não afogue o pavio onde crepita a chama da esperança.

Seu filho é fruto em formação para o futuro. Não procure colher, antes do tempo, o benefício que lhe não pertence.
Lembre-se, mãe devotada que você é, que o seu filho é também filho de Deus.

Você poderá caminhar ao seu lado na estrada apertada, mas ele só terá honra quando conseguir chegar ao objetivo conduzido pelos próprios pés.

Você tem o dever de lhe apontar os abismos à frente; mas a ele compete contornar os obstáculos e descer às baixadas da existência para testar a fortaleza do próprio caráter.

Você deve ministrar-lhe o sustento do Evangelho; mas a ele compete o murmúrio das orações, na prece continuada das ações nobres.

Seu filho é o discípulo amado que Deus pôs ao alcance do seu coração enternecido, no entanto, a sua tarefa não pode ir além daquele amor que o Pai propicia a todos, ensinando ao tempo, corrigindo na luta, e educando através da disciplina na para a felicidade.

Mostre-lhe a vida, mas deixe-o viver.

Fale-lhe das trevas, mas dê-lhe a luz do conhecimento.

Mande-o à escola, mas faça-se mestra dele no lar.
Apresente-lhe o mundo, mas deixe-o construir o próprio mundo.

Tome-lhe as mãos e ponha-as no trabalho, ensinando com o seu exemplo, mas não lhe desenvolva a inutilidade, realizando as tarefas que lhe competem.

Seu filho é vida da sua vida que vai viver na vida da Humanidade inteira.

Cumpra o seu dever amando-a, mas exercite o seu amor ensinando-o a amar e fazendo que no serviço superior ele se faça um homem para que o possa bendizer, mais tarde.

Ame, em seu filho, o filho de todas as mães e ame nos filhos das outras o seu próprio filho, para que ele, honrado pelo amor de outras mães, possa enobrecer o mundo, amando outros filhos.

Seu filho é semente divina; não lhe negue, por falso carinho, a cova escura da fertilidade, pretextando devotamento, porque a semente que não morrer jamais será fonte de vida.

Mãe! Seu filho é a esperança do mundo; não o asfixie no egoísmo dos seus anelos, esquecendo-se de que você veio à terra sem ele e retornará igualmente a sós, entregando-o a Deus consoante as leis sábias e justa da Criação.



Amélia Rodrigues

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A COBRA E A LIMA

 
Conta-se que uma cobra vivia vizinha de uma relojoaria. Um dia ela entrou na oficina atrás de alguma sobra, mas de comida, ali, nem cheiro. Nada encontrando para satisfazer a sua fome e, com o apetite redobrado ao ver uma lima, se põe a roê-la.
A lima então lhe diz:
- Que pretendes fazer, pobre infeliz? Não vês que sou feita de aço? E que, antes de me prejudicar, você está prejudicando a si mesma? Não percebes que não terás dentes para usar, e eu continuarei intacta, pois não conseguirás tirar de meu corpo o menor pedaço? A mim nada causa contratempo. Os únicos dentes que podem me afetar são os dentes do tempo!
Esta história se endereça a vós que só sabeis criticar, nada mais. A tudo e a todos mordeis, imprimindo a marca ultrajante de vossos dentes, mesmo sobre as obras-primas.
Será que podeis roer essas "limas"?
Não se esqueçam: elas são de aço, bronze e diamante!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

PRIMAVERA - Augusto dos Anjos

 

Primavera gentil dos meus amores,
- Arca cerúlea de ilusões etéreas,
Chova-te o Céu cintilações sidéreas
E a terra chova no teu seio flores!

Esplende, Primavera, os teus fulgores,

Na auréola azul, dos dias teus risonhos,
Tu que sorveste o fel das minhas dores
E me trouxeste o néctar dos teus sonhos!

Cedo virá, porém, o triste outono,

Os dias voltarão a ser tristonhos
E tu hás de dormir o eterno sono,

Num sepulcro de rosas e de flores,

Arca sagrada de cerúleos sonhos,

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

FAGULHA - Ana Cristina Cesar


Abri curiosa
o céu.
Assim, afastando de leve as cortinas.
Eu queria entrar,
coração ante coração,
inteiriça
ou pelo menos mover-me um pouco,
com aquela parcimônia que caracterizava
as agitações me chamando
Eu queria até mesmo
saber ver,
e num movimento redondo
como as ondas
que me circundavam, invisíveis,
abraçar com as retinas
cada pedacinho de matéria viva.
Eu queria
(só)
perceber o invislumbrável
no levíssimo que sobrevoava.
Eu queria
apanhar uma braçada
do infinito em luz que a mim se misturava.
Eu queria
captar o impercebido
nos momentos mínimos do espaço
nu e cheio
Eu queria
ao menos manter descerradas as cortinas
na impossibilidade de tangê-las
Eu não sabia
que virar pelo avesso
era uma experiência mortal.