quinta-feira, 10 de setembro de 2009

MEIMEI

Amigo que me protege:


Não relegues minha querida mãezinha ao esquecimento.


Ajude-me, ajudando-a


Sou a flor que promete fruto.


Ela é a árvore que me abriga.


Sem a seiva que socorre, meu destino é a frustração.


Sou a corrente que se move para o futuro.


Ela é a fonte que me alimenta.


Se o veneno da terra poluir o manancial que me nutre, ainda que eu não deseje, espalharei no

solo da vida a perturbação e a morte.


Lembra-te de que a Mãezinha é a ternura que me afaga, o carinho que me levanta, a voz que me abençoa e o regaço que me acalenta...


Como poderia reconfortar-me, sem lhe ver nos olhos o fulgor da alegria?


Irmão que me estendes o braço amigo, não venho a sós ao teu encontro.


Não derramarás tua luz em minha taça de esperança.


Olvidando na sombra a mão que me ergue.


Toma-me o coração em teu coração, mas não desprezes o coração da Mãezinha, o cofre de Amor e Luz, talhado em meu auxílio, pelo coração Paternal de Deus.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

JUAN FRANCISCO CASAS

Trabalhos do artista Juan Francisco Casas, feitos com caneta BIC.

http://www.juanfranciscocasas.com/

domingo, 6 de setembro de 2009

GRETE STERN




Uma das maiores descobertas dos últimos tempos foi o trabalho da Grete Stern.


Grete nasceu em 1904 na Alemanha e cursou fotografia alguns semestres na Bauhaus. Depois de emigrar para a Inglaterra e finalmente para Buenos Aires, passa a produzir fotomontagens para a seção “El Psicoanálisis le ayudará”, da revista feminina Idílio. Semanalmente, Grete ilustrava essa seção dedicada as leitoras que enviavam seus sonhos a fim que fossem interpretados.

Talvez um dos grandes méritos de Grete seja a forma delicada de suas metáforas, aliada a técnicas de laboratório e edição, que permitiram um trabalho tão rico e minucioso muito antes do computador.

PANTERA - Rainer Maria Rilke


No Jardin des Plantes, Paris

De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.

A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.

De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.

CANÇÃO BÊBADA - Dante Milano


Estou bêbedo de tristeza,
De doçura, de incerteza,
Estou bêbedo de ilusão,
Estou bêbedo, estou bêbedo,
Bêbedo de cair no chão.

Os que me virem caído
Pensarão que estou ferido.
Alguém dirá: “Foi suicídio!”
“É um bêbedo!” outros dirão.

E ficarei estirado,
Bêbedo, desfigurado.

Talvez eu seja arrastado
Pelas ruas, empurrado,
Jogado numa prisão.

Ninguém perdoa o meu sonho,
Riem da minha tristeza,

Bêbedo, bêbedo, bêbedo,

Em mim, humilhada a glória,
Escarnecida a poesia,

Rasgado o sonho, a ilusão
Sumindo, a emoção doendo.

E ficarei atirado,
Bêbedo, desfigurado.

sábado, 5 de setembro de 2009

ABRA SUAS ASAS - João Carlos Assumpção



"Dar um sentido para a vida. Amar e ser amado. Deixar uma marca de sua passagem pelo mundo. Ver uma parte de si se propagar pelo tempo. Enfim, vencer a sensação de finitude. É para isso que as pessoas têm filhos, e é por isso, também, que se adota uma criança. Essa constatação pode espantar quem vê os pais adotivos como uma espécie de herói, gente caridosa que decidiu abrir as portas da própria casa para uma criança abandonada. Adoção não tem nada a ver com caridade, e pais adotivos não podem ser vistos como pessoas especiais. São pais como quaisquer outros, que cometem os mesmos erros e pecam pelas mesmas ansiedades.

É claro que, no momento da adoção, existe uma boa dose de desejo de ajudar, um sentimento de amor ao próximo. Mas altruísmo nenhum dura a vida inteira, que é o tempo de uma relação de pai e filho, afinal de contas. A adoção, é verdade, não deixa de ser um ato de solidariedade, mas, ao adotar, os pais também querem atender a uma necessidade própria, preencher um vazio interior, seja ele qual for. Se estão se dando a oportunidade de ajudar um ser humano, estão, antes de mais nada, ajudando a si próprios. Se por um lado quem adota devolve à criança o direito de ter um pai ou uma mãe, ela lhes oferece a preciosa função de educar, de dar e receber amor. Permite orientar e aprender com o desenvolvimento da criança, uma experiência que pode ser muito construtiva e exige um bocado de dedicação.

Porque, como diz Fernando Freire, psicólogo da Associação Brasileira Terra dos Homens, que trabalha com crianças e adolescentes em situação de risco, a adoção é antes de tudo uma atitude frente à vida e seus desafios, uma atitude de quem sabe que o amor é uma das poucas coisas que, quanto mais partilhado, mais cresce.

Nem mais, nem menos

Um filho adotivo não dará aos pais nem receberá deles amor maior ou menor que um filho biológico.A mulher é predisposta a gerar e a cuidar do filho, mas, em uma gestação não planejada, por exemplo, ela também tem que decidir cuidar da criança e amála. Também é uma escolha, assim como acontece na adoção, diz Gabriela Schreiner, diretora-executiva do Cecif, centro que auxilia organizações que desenvolvem trabalhos de apoio à convivência familiar. Segundo ela, a paternidade e a maternidade podem ser indesejadas, mas não a paternagem ou a maternagem, ou seja, o exercício do papel de pai ou de mãe. Não se ama mais um filho porque ele é biológico ou adotivo. Ama-se porque o pai ou a mãe tem capacidade de amar, independentemente de o filho ter sido gerado pelo casal ou não.

Quer dizer, não é porque uma mulher teve um filho que vai amá-lo.Tem de ter disposição e capacidade para fazê-lo.Essa questão de instinto materno nunca foi comprovada cientificamente. Como em qualquer relação, o amor é construído, diz Gabriela.

O conceito de paternidade não deixa de ter um quê cultural.Não são poucas as tribos indígenas em que as crianças pertencem ao grupo, não aos pais. Em certos povos africanos, jovens são criados por tios, primos, avós, fazendo estes o papel de pais. E, se a preocupação é com o caráter antinatural da adoção, é bom saber que ela existe em outras espécies animais, como os golfinhos, conhecidos por sua inteligência e bom nível de comunicação. Entre eles, qualquer filhote é do grupo, não dos pais, e toda fêmea pode amamentá-lo.

Se você achou estranho ler, lá no primeiro parágrafo, que pais adotivos também querem ver uma parte de si se propagar pelo tempo, saiba que isso acontece, sim. Não são os genes que se propagarão, é claro, mas a cultura familiar e pessoal não é herança pouca. Cláudia Barcellos e Altair Araújo, que adotaram uma criança de 4 anos e meio na região de Cotia (SP), contam uma situação curiosa, que costuma acontecer algumas vezes, mesmo em adoções tardias. Depois de um tempo ela até começou a se parecer conosco, principalmente comigo.

Em adoções bem-sucedidas, o fenômeno não é incomum. Muitas crianças adotadas acabam adquirindo características de seus pais, como o jeito de sorrir, a maneira de falar ou até a de andar, afirma Gabriela.

Amar faz bem à saúde

E aí está, na verdade, a chave da questão. Como diz o psicoterapeuta italiano Piero Ferrucci, autor do livro A Arte da Gentileza, estimular qualidades humanas como afeto, gentileza e compaixão faz bem. Pessoas gentis são mais saudáveis, mais amadas e produtivas. Vivem mais e são mais felizes, enfim.

Quem adota,portanto,pode se sentir assim, o que não deixa de gerar certas dúvidas, que são colocadas pelo próprio Ferrucci. O italiano faz uma ponderação interessante sobre o assunto, que depois ele mesmo responde: Suponhamos que sejamos gentis para nos sentirmos melhor e vivermos mais. Não estamos, então, distorcendo a própria natureza da gentileza, fazendo algo de forma calculada e em interesse próprio? A resposta:Não importa.A gentileza dá sentido e valor à vida, elevanos acima de nossas dificuldades e lutas e nos transmite inefável bem-estar.

A adoção tem como base um desejo primordial do ser humano, que é amar e ser amado. Como diz Ferrucci, só podemos estar bem se formos capazes de cuidar uns dos outros, de amar uns aos outros.

Num tom mais forte e radical, no livro Quando Nietzsche Chorou, o psiquiatra Irvin D. Yalom também toca no assunto, dando voz, em determinados momentos, à tese de que o ato de amar é movido por um lampejo egocêntrico. Jamais alguém faz algo totalmente para os outros, todas as ações são autodirigidas, todo serviço é autoserviço, todo amor é amor-próprio. Exagero? Talvez, mas grupos como o Cecif levam isso em consideração e cuidam para que essa busca incessante pelo preenchimento de um vazio interior não atrapalhe o processo.

Foco na criança

Quem adota deve levar em conta não só suas próprias aspirações, mas também as da criança que é adotada. Quem alerta para o risco de o pai ou a mãe de uma criança adotiva pensar apenas nos seus anseios é a terapeuta de família Márcia Lopes de Camargo. A adoção não pode se transformar simplesmente em um tapa-buraco existencial. Ela também deve ser voltada para a criança, com quem assumimos a responsabilidade de cuidar e educar.Devemos criá-la em um meio seguro, para que ela cresça numa família, e não nos preocupar apenas em atender à satisfação de uma necessidade pessoal, encobrindo uma dor que deveria ser por nós mesmos trabalhada, para o nosso próprio crescimento, diz.

O norte-americano Robert Klose, professor de biologia que adotou um menino da Rússia, concorda com ela. A adoção é uma troca, uma relação construída no dia-a-dia, em que você tem que estar preparado para o melhor e para o pior. Para adotar, não basta ter o desejo, a vontade. Tem que ter muita disposição.Até porque, no caminho, os pais costumam ter muitas surpresas.Assim como quem tem filhos biológicos, não conhecemos todos os ingredientes, entramos numa região desconhecida e temos de ter disposição para enfrentar os obstáculos que certamente aparecerão. Na adoção, como na vida, toda história é única, diz o biólogo.

Com que idade?

Em geral, pais preferem filhos recém-nascidos. E é natural que seja assim. Afinal, eles querem participar de toda a vida da criança.Mas aos poucos essa exigência vem cedendo espaço, e cada vez mais crianças de 2, 4, 10, 13 anos estão ganhando pais. Para Gabriela Schreiner, isso não faz diferença no sucesso da adoção. Em um longo estudo sobre o tema, a psicóloga Lidia Natalia Weber, do Paraná, uma das maiores especialistas do Brasil no assunto, fez entrevistas com 1 000 casais que haviam adotado entre 1996 e 1999. Descobriu que 95% das adoções tardias deram certo.

O grande diferencial de uma adoção tardia é o cuidado que os pais devem ter ao lidar com o histórico anterior do filho, diz Gabriela. Ou seja, os problemas enfrentados pela criança nos primeiros anos de vida pré-adoção. Há vítimas de maus-tratos, violência, atraso escolar, dificuldade de confiar nas pessoas, baixa auto-estima, entre outros. Além de muito carinho, a ajuda de profissionais, como psicólogos, fonoaudiólogos e educadores, dependendo do caso, pode ser fundamental.

É o caso de Robert Klose, o norteamericano que foi até a Rússia adotar, para quem todo o processo, que pode ser mais demorado do que os nove meses de uma gestação, vale a pena. No livro Adopting Alyosha (Adotando Alyosha, inédito no Brasil), em que ele conta a história da adoção da criança, lembra que, quando tinha 7 anos, queria muito crescer logo para virar um adulto.Agora que chegou lá, percebeu que a espera foi válida. É que tinha a seu lado um menino de 7 anos, vindo do outro lado do mundo, a quem podia chamar de filho".


Para saber mais:

- Por uma Cultura da Adoção para a Criança Grupos, Associações e Iniciativas de Apoio à Adoção, Gabriela Schreiner, Consciência Social

- A Arte da Gentileza As Pessoas Mais Gentis São Mais Felizes e Bem-sucedidas, Piero Ferrucci, Elsevier

- Os Bichos Ensinam, Odir Cunha, Códex

- 101 Perguntas e Respostas Sobre Adoção, Cecif

- Adopting Alyosha A Single Man Finds a Son in Russia, Robert Klose, University Press of Mississippi


Fonte: vidasimples.abril.com.br/

Setembro/2005

IF YOU COULD REMEMBER

If you could remember

Remeber days of our lives
We spent in height
Like on a love which never dies
If you could remember
Remember lips touching warm
Turning to one remember
Falling stars of love
But remember love is pain
My eyes are filled with teardrops
Memories are coming back
Bringing the songs of yesterday
Can’t you remember love
The grass was greener
The sky above so blue
There was no rain
Laughing, loving, was our way of life
Please tell me that you
Remember love


Se você pudesse lembrar
Lembrar os dias de nossas vidas
Que nós passamos nas alturas
Como num amor que nunca morre
Se você pudesse lembrar
Lembrar dos nossos lábios quentes se tocando
Transformando-se numa única lembrança
De estrelas cadentes de amor
Mas lembre-se que o amor é dor
Meus olhos estão cheios de lágrimas que caem
Lembranças estão voltando
Trazendo as canções do passado
Amor você lembra?
Como a grama era mais verde
E o céu tão azul
Não havia chuva
Rindo, amando, assim era nossa vida
Por favor amor, diga-me que você se lembra

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

MOTHER - JOHN LENNON



Mãe, você me teve, mas eu nunca a tive
Eu te quis, você não me quis
Então eu, eu apenas tenho que lhe falar
Adeus, adeus,
Pai, você me deixou, mas eu nunca o deixei
Eu precisei de você, você não precisou de mim
Então eu, eu apenas tenho que lhe falar
Adeus, adeus,
Crianças, não façam o que eu fiz
Eu não pude caminhar e eu tentei correr
Então eu, eu apenas tenho que lhes falar
Adeus, adeus,
Mamãe não vá
Papai vem para casa

ANOTHER BRICK IN THE WALL - Pink Floyd


O papai voou pelo oceano

Deixando apenas uma memória

Foto instantânea no álbum de família

Papai, o que mais você deixou para mim?

Papai, o que você deixou para mim?

Tudo era apenas um tijolo no muro

Todos são somente tijolos na parede

"Você! Sim, você atrás das bicicletas, parada aí, garota!

"Quando crescemos e fomos à escola

Havia certos professores que

Machucariam as crianças da forma que eles pudessem(oof!)

Despejando escárnio

Sobre tudo o que fazíamos

E os expondo todas as nossas fraquezas

Mesmo que escondidas pelas crianças

Mas na cidade era bem sabido

Que quando eles chegavam em casa

Suas esposas, gordas psicopatas, batiam neles quase até a morte

Não precisamos de nenhuma educação

Não precisamos de controle mental

Chega de humor negro na sala de aula

Professores, deixem as crianças em paz

Ei! Professores!

Deixem essas crianças em paz!

Tudo era apenas um tijolo no muro

Todos são somente tijolos na parede

REPETE"

Errado, faça de novo!"

"Se você não comer sua carne, você não ganha pudim.

Como você pode ganhar pudim se não comer sua carne?

"Você!

Sim, você atrás das bicicletas, parada aí, garota!

Eu não preciso de braços ao meu redor

E eu não preciso de drogas para me acalmar

Eu vi os escritos no muro

Não pense que preciso de algo, absolutamente

Não!

Não pense que eu preciso de alguma coisa afinal

Tudo era apenas um tijolo no muro

Todos são somente tijolos na parede

CHARLES CHAPLIN


“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem apalusos.”

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

MAU HUMOR













frasesilustradas.wordpress.com/
Agora, neste exato momento, estou tão mau humorada, tão mau humorada mas tão mau humorada que até penso que NUNCA vou melhorar!!!

ALÉCIO DE ANDRADE

Bem relacionado no cenário cultural o fotógrafo carioca Alécio de Andrade passou suas últimas quatro décadas de vida em Paris. Lá, fez 12000 fotos do Louvre. Oitenta e oito desses registros estão reunidos no Instituto Moreira Salles. Eles captam os momentos de interação entre o público e as obras expostas. Alécio enxergava os visitantes como atores de um grande teatro. Em suas imagens, há, por exemplo, casais apaixonados, crianças correndo, um guarda entediado ao lado da Mona Lisa e esculturas no papel de personagens. O momento mais mágico, no entanto, é um divertido flagra de três freiras diante da pintura As Três Graças, de Jean-Baptiste Regnault.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

ALTO ASTRAL - Dadi / Mu / Evandro Mesquita


Nasce um dia lindo pra viajar
Frutas, queijo e um beijo pela manhã
Clara a luz, a paz me faz voar
Tudo em cima e dentro sigo feliz
Vejo o sol que sai de traz do mar
Lindo, vindo sempre a iluminar
Sempre assim, natural
Naturalmente, alto astral

Vejo o sol que sai de traz do mar
Lindo, vindo sempre a iluminar
Sempre assim, natural
Naturalmente, alto astral

E brilhar no ar, na terra e o mar
Estar bem com você em qualquer lugar
Muito som, muita cor, axé
Muita fé e seja o que deus quiser
E saber que algo vai mudar
Toda violência acabar
Todo dia conquistar esse sonho
Alto astral

terça-feira, 1 de setembro de 2009

CAPITÃO - Chico Buarque


Brasil

quem é que seria o dono da Amazônia

e por aqui quem viveria

se a Guanabara explodisse em gás e sangue?

Seria outra a nossa História.

Inda bem,

quem ama a vida não vai ser agora matador

quem ama a selva não vai ser agora lenhador

quem ama o índio não vai ser agora caçador


Brasil

teu capitão não aceita a ordem de matar

nosso capitão não aceita quem quer te entregar

o capitâo não aceita a ordem da matança

Inda bem,

quem ama a vida prefere o ofício de salvar

quem ama a terra prefere o ofício de sonhar

quem ama mesmo prefere o ofício de amar


Brasil

teu capitão não aceita a ordem de matar

nosso capitão não aceita quem quer te entregar

o capitão não aceita a morte da esperança

Inda bem,

quem ama a vida prefere o ofício de salvar

quem ama a terra prefere o ofício de sonhar

quem ama mesmo prefere o ofício de amar.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

UM ESSE / Trad. Augusto de Campos



Ai, tirolin,
bom é este vinho!
Enche meu copo
ou fico louco.
Se estou assim
quem ri de mim?
Valha-me Deus,
se o mundo é meu!
Vejo a moçada e
Tudo é risada;
sempre aplaudindo,
vão me seguindo.
Tenho poder,
tanta influência e
todos me fazem
só reverências.
Casas e gentes,
sede obedientes!
Pois eu vos digo:
gritem comigo!
Gente passando,
vai me saudando.
Valha-me Deus,
se tudo é meu!
Qu'eu sou afinal
o Deus maioral.
E o tipo ali,
pobre boçal,
Não vou seguir,
só a mim sou leal.

Poesia: Una Esse - Rafael Nogueras Oller

domingo, 30 de agosto de 2009

SAÚDE MENTAL - Rubem Alves


"Fui convidado a fazer uma preleção sobre saúde mental. Os que me convidaram supuseram que eu, na qualidade de psicanalista, deveria ser um especialista no assunto. E eu também pensei. Tanto que aceitei.

Mas foi só parar para pensar para me arrepender. Percebi que nada sabia.Eu me explico.Comecei o meu pensamento fazendo uma lista das pessoas que, do meu ponto de vista, tiveram uma vida mental rica e excitante, pessoas cujos livros e obras são alimento para a minha alma. Nietzsche, Fernando Pessoa, Van Gogh, Wittgenstein, Cecília Meireles, Maiakovski. E logo me assustei. Nietzsche ficou louco. Fernando Pessoa era dado à bebida. Van Gogh matou-se.Wittgenstein alegrou-se ao saber que iria morrer em breve: não suportava mais viver com tanta angústia. Cecília Meireles sofria de uma suave depressão crônica. Maiakoviski suicidou-se.

Essas eram pessoas lúcidas e profundas que continuarão a ser pão para os vivos muito depois de nós termos sido completamente esquecidos.Mas será que tinham saúde mental? Saúde mental, essa condição em que as idéias comportam-se bem, sempre iguais, previsíveis, sem surpresas, obedientes ao comando do dever, todas as coisas nos seus lugares, como soldados em ordem unida, jamais permitindo que o corpo falte ao trabalho, ou que faça algo inesperado; nem é preciso dar uma volta ao mundo num barco a vela, basta fazer o que fez a Shirley Valentine (se ainda não viu, veja o filme) ou ter um amor proibido ou, mais perigoso que tudo isso, a coragem de pensar o que nunca pensou.

Pensar é uma coisa muito perigosa... Não, saúde mental elas não tinham... Eram lúcidas demais para isso.Elas sabiam que o mundo é controlado pelos loucos e idosos de gravata.Sendo donos do poder, os loucos passam a ser os protótipos da saúde mental.Claro que nenhum dos nomes que citei sobreviveria aos testes psicológicos a que teria de se submeter se fosse pedir emprego numa empresa. Por outro lado, nunca ouvir falar de político que tivesse depressão. Andam sempre fortes em passarelas pelas ruas da cidade, distribuindo sorrisos e certezas.

Sinto que meus pensamentos podem parecer pensamentos de louco e por isso apresso-me aos devidos esclarecimentos.Nós somos muito parecidos com computadores. O funcionamento dos computadores, como todo mundo sabe, requer a interação de duas partes. Uma delas chama-se hardware, literalmente "equipamento duro", e a outra denomina-se software, "equipamento macio". Hardware é constituído por todas as coisas sólidas com que o aparelho é feito. O software é constituído por entidades "espirituais" - símbolos que formam os programas e são gravados nos disquetes. Nós também temos um hardware e um software.

O hardware são os nervos do cérebro, os neurônios, tudo aquilo que compõe o sistema nervoso. O software é constituído por uma série de programas que ficam gravados na memória. Do mesmo jeito como nos computadores, o que fica na memória são símbolos, entidades levíssimas, dir-se-ia mesmo "espirituais", sendo que o programa mais importante é a linguagem.
Um computador pode enlouquecer por defeitos no hardware ou por defeitos no software.Nós também. Quando o nosso hardware fica louco há que se chamar psiquiatras e neurologistas, que virão com suas poções químicas e bisturis consertar o que se estragou. Quando o problema está no software, entretanto, poções e bisturis não funcionam.

Não se conserta um programa com chave de fenda.Porque o software é feito de símbolos e, somente símbolos, podem entrar dentro dele.Ouvimos uma música e choramos. Lemos os poemas eróticos de Drummond e o corpo fica excitado. Imagine um aparelho de som. Imagine que o toca-discos e os acessórios, o hardware, tenham a capacidade de ouvir a música que ele toca e se comover. Imagine mais, que a beleza é tão grande que o hardware não a comporta e se arrebenta de emoção!

Pois foi isso que aconteceu com aquelas pessoas que citei no princípio:
A música que saia de seu software era tão bonita que seu hardware não suportou... Dados esses pressupostos teóricos, estamos agora em condições de oferecer uma receita que garantirá, àqueles que a seguirem à risca, "saúde mental" até o fim dos seus dias.

Opte por um software modesto. Evite as coisas belas e comoventes.
A beleza é perigosa para o hardware. Cuidado com a música... Brahms, Mahler, Wagner, Bach são especialmente contra-indicados. Quanto às leituras, evite aquelas que fazem pensar. Tranquilize-se há uma vasta literatura especializada em impedir o pensamento. Se há livros do doutor Lair Ribeiro, por que se arriscar a ler Saramago?

Os jornais têm o mesmo efeito. Devem ser lidos diariamente. Como eles publicam diariamente sempre a mesma coisa com nomes e caras diferentes, fica garantido que o nosso software pensará sempre coisas iguais. E, aos domingos, não se esqueça do Silvio Santos e do Gugu Liberato.
Seguindo essa receita você terá uma vida tranqüila, embora banal.
Mas como você cultivou a insensibilidade, você não perceberá o quão banal ela é. E, em vez de ter o fim que tiveram as pessoas que mencionei, você se aposentará para, então, realizar os seus sonhos. Infelizmente, entretanto, quando chegar tal momento, você já terá se esquecido de como eles eram..."


NORMAL ROCKELL/ pintor

Artista americano apaixonado pela sua arte, desde a adolescência.


Sua paixão é evidente nas pinturas onde se observa o cotidiano dos Estados Unidos até a década de 70.
Acredita-se que, nenhum artista tenha tocado o povo americano de uma maneira tão profunda e com tanta simplicidade usando apenas pincéis...

ERIC ZENER/ pintura figurativa

"Eric sempre impressiona, ao mostrar em seus trabalhos realistas, seu fascínio por temas aquáticos, feitos em óleo sobre tela."

sábado, 29 de agosto de 2009

PARA REFLETIR : O principezinho tirano

Num reino longínquo, uma rainha desesperava-se por não ter filhos.

— Temos de ter um! Temos de ter um! — gemia o rei. — Para quem ficará este soberbo reino que me deixou o meu pai, que o recebeu do seu pai, e assim sucessivamente, até à criação do primeiro pai sobre a Terra? A quem entregarei a minha coroa, quando os meus ossos se tornarem velhos e quebradiços, quando estiver cheio de cabelos brancos e tolhido de reumatismo?
— Que quadro tão terrível da velhice me está a pintar, meu amigo! — exclamou a rainha, que também não tinha vontade nenhuma de envelhecer sem filhos. — Mas não deixa de ter razão: precisamos de ter uma criança.
A rainha consultou todos os manuais e os médicos mais poderosos e mais sábios. Por fim, graças a um deles, um bebé começou a mexer-se no seu ventre e depois a crescer, tranquilamente, em lindos lençóis.
— Cuidado! — preveniu-os o médico. — Este principezinho será o vosso tesouro, mas não lhe dêem mimo demais. Não tenham pressa em fazer dele um pequeno rei.
No entanto, mal o médico virou costas, a rainha pegou logo no pequeno príncipe e começou a enchê-lo de mimos.
— Tu és o meu reizinho, o meu único rei, e os teus desejos são ordens.
Esta frase não caiu em saco roto. Meteram numa redoma aquela criança infinitamente preciosa e, todas as manhãs, uma criada diplomada levava-lhe biberões de leite de burra e mel de abelhas raras. Dormia num colchão de pétalas de rosa colhidas na Abissínia às cinco horas da manhã, e em lençóis bordados a ouro. Para o servirem, uma dúzia de criadas corriam de um lado para o outro e dormiam a seus pés. Estava protegido de tudo: da mais leve brisa, do menor sopro, da mais pequena nuvem… Para o aquecerem, tinham construído um sol artificial, que não queimava a pele, mas que fornecia vitamina D. Foi assim que ele cresceu, tranquilamente, em silêncio, e cheio de tirania, porque os seus desejos eram ordens e esta frase não tinha caído em saco roto.
No dia em que completou sete anos, pareceu conveniente aos pais tirar aquela criança adorada da sua redoma de vidro.
— Meu pequerruchinho, agora já és grande!
— Não sou pequerruchinho nenhum. — disse o príncipe com desdém. — E se quer beijar-me, autorizo-a a que me beije os pés. É quanto basta.
Depois, dirigiu-se ao pai nestes termos:
— Eh, ó rei velhote, passa para cá a tua coroa!
O velho rei entregou-lhe a coroa sem dizer uma palavra, porque nunca havia dito “não” ao principezinho, nem quando ele tinha um dia, nem quando ele tinha três meses. Como proibi-lo então de alguma coisa aos sete anos de idade? E foi assim que o principezinho se transformou em rei. Um rei tirano de sete anos e alguns dias. Mandou cortar todas as árvores, porque lhe tinha caído uma ameixa na cabeça; mandou estrangular os tentilhões um a um, porque cantavam de manhã muito cedo; mandou prender a rainha sua mãe no 749º andar da mais alta das suas torres, porque ela se tinha atrevido a mandá-lo fazer os seus deveres reais. É o que por vezes acontece quando se é criado numa redoma.
O pior é que, apesar dos seus caprichos, ele tinha sempre um rosto infeliz e gritava:
— Sinto-me sozinho!! Estou triste!! Ninguém gosta de mim!!
Quando viu aquele cortejo de disparates, uma violenta cólera apoderou-se do velho rei sem manto e sem coroa. Uma cólera que parecia um mar enraivecido.
— Anda cá, meu patife! — ralhou com voz grossa. — Que sorte a minha, ter de aturar um garoto tão mal educado! — o que era um verdadeiro rosário de palavrões para um rei tão bem educado como ele. E continuou:
— Anda cá, que vais levar um bofetão, um tabefe, uma palmada no traseiro. Ainda não apanhaste que chegasse, na tua vida!
A rainha, embora fechada no 749º andar, ouviu os gritos e desmaiou na sua torre. “Seremos condenados à morte”, pensava. “Seremos lançados do alto da torre.”
Mas não foi o que aconteceu. Muito sensatamente, o pequeno rei devolveu a coroa ao pai, murmurando:
— Perdão, papá.
O velho rei recuperou a coroa, o trono e o poder. Libertou a mulher e disse-lhe:
— Quando se entrega cedo demais a coroa a um pequeno príncipe, pode-se fazer dele um tirano insuportável! Bem que o médico nos avisou, minha querida!
E a vida continuou como antes. Com um pouco mais de ordem, de civismo. Quem era o mais feliz? O principezinho. Com o pai, aprendeu a jogar ao berlinde e a rir-se com as histórias divertidas que ele contava.
— Ah! — dizia ele. — Como é bom ser criança, não pensar em nada de muito sério e passar o tempo a brincar!


Fonte: historiasparaosmaispequeninos.wordpress.com

FERNANDO PESSOA


Partir!
Nunca voltarei,
Nunca voltarei porque nunca se volta,
O lugar a que se volta é sempre outro,
A gare a que se volta é outra.
Já não está a mesma gente, nem a
mesma luz, nem a mesma filosofia.

PAUL STRAND



"Um dos pioneiros da fotografia moderna nos Estados Unidos, Paul Strand (1890-1976) enfim ganha sua primeira individual na América Latina.
Com 107 imagens, Olhar Direto merece elogios sobretudo por abranger todas as fases da longa e produtiva carreira do fotógrafo.
No início, Strand apontava sua objetiva para as transformações urbanas sofridas por Nova York.
O trabalho mais conhecido dessa época é o chocante retrato de uma mendiga cega, feito em 1916.
Na década de 40, aventurou-se pelo interior do país, onde captou beleza em detalhes aparentemente banais, como um trinco de porta.
Mudou-se para a França no fim da vida e passou a registrar cenários da Europa, como a fábrica de chapéus italiana ao lado, e da África".

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

FERIAS - Ronaldo Costa Fernandes


Aqui, quieto em meu canto,
sem mexer-me, olhando a luz higiênica do sol,
penso na inutilidade cansativa de malas e hotéis
para divertir-me nas férias estrangeiras.
Não, só preciso da vontade,
nem sempre firme,
um vento estradeiro,
um alarde distante de pássaros
e nada além do meu corpo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

MIL DESCULPAS



Estou tãããooo cansada, cheia de atividades de mãe, de casa e profissionais que nem ando comentando nos blogs que acompanho. Mal e mal consigo fazer um post por dia. Bjs

DRUMUNDANA - Alice Ruiz

e agora Maria?
o amor acabou
a filha casou
o filho mudou
teu homem foi pra vida
que tudo cria
a fantasia
que você sonhou
apagou
à luz do dia
e agora Maria?
vai com as outras
vai viver
com a hipocondria.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

FARIA NETO


Minha enxadinha
Trabalha bem;
corta matinhos
num vai-e-vem
Minha enxadinha
vai descansar
para amanhã
recomeçar.

Adeus rocinha!
Adeus, trabalho!
A vos plantinhas
O doce orvalho!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

SOLIDARIDADE


" Pode ser pouco


Mas com educação


Qualquer tanto, dá".

QUANDO UM HOMEM AMA UMA MULHER - Tradução




Quando um homem ama uma mulher
Não consegue manter sua mente em nada mais.
Ele trocaria o mundo
Por uma coisa boa que encontrou.
Se ela for má, ele não consegue perceber isso,
Ela não pode fazer nada errado
Ele vira as costas para seu melhor amigo
Se o amigo criticá-la.


Quando um homem ama uma mulher
Gasta seu último centavo
Tentando agarrar-se ao que ele precisa.
Ele abriria mão de todos os seus confortos
E dormiria lá fora na chuva,
Se ela dissesse que esse é o modo como deveria ser.


Quando um homem ama uma mulher,
u entrego a você tudo que tenho (sim)
Tentando me agarrar
Ao seu precioso amor.
Baby, por favor não me trate mal.


Quando um homem ama uma mulher,
Bem no fundo de sua alma,
Ela pode lhe trazer tal miséria,
Se ela está brincando com ele como se fosse um bobo e é o último a saber,
Olhos apaixonados nunca conseguem ver…
Sim, quando um homem ama uma mulher,
Eu sei exatamente o que ele sente.
Pois, baby, baby, baby,
Eu sou um homem


Um homem também chora


Menina morena
Também deseja colo
Palavras amenas...
Precisa de carinho
Precisa de ternura
Precisa de um abraço
Da própria candura...
Guerreiros são pessoas
Tão fortes, tão frágeis
Guerreiros são meninos
No fundo do peito...
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sono
Que os tornem refeitos...
É triste ver meu homem
Guerreiro menino
Com a barra do seu tempo
Por sobre seus ombros...
Eu vejo que ele berra
Eu vejo que ele sangra
A dor que tem no peito
Pois ama e ama...
Um homem se humilha
Se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E vida é trabalho...
E sem o seu trabalho
O homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata...
Não dá prá ser feliz
Não dá prá ser feliz...
É triste ver meu homem
Guerreiro menino
Com a barra de seu tempo
Por sobre seus ombros...
Eu vejo que ele sangra
Eu vejo que ele berra
A dor que tem no peito
Pois ama e ama...
Um homem se humilha
Se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E vida é trabalho...
E sem o seu trabalho
O homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata...
Não dá prá ser feliz

VITORIOSA - Ivan Lins

Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa...
Quero sua alegria escandalosa
Vitoriosa por não ter
Vergonha de aprender como se goza...
Quero toda sua boca castidade
Quero toda sua louca liberdade
Quero toda essa vontade
De passar dos seus limites
E ir além, e ir além...
Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa
Que a vida pode ser maravilhosa...
Quero toda sua pouca castidade
Quero toda sua louca liberdade
Quero toda essa vontade
De passar dos seus limites
E ir além, e ir além...
Quero sua risada mais gostosa
Esse seu jeito de achar
Que a vida pode ser maravilhosa
Que a vida pode ser maravilhosa...

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

DIA INFÂNCIA - 24 de agosto

"De acordo com a Unicef – Fundo das Nações Unidas para a Infância, 62 milhões de brasileiros têm menos de 18 anos. As crianças são especialmente vulneráveis às violações dos direitos, à pobreza e à iniqüidade no País.

O índice de pobreza infantil é de 44% no Brasil, passando a 78% entre as crianças negras. Mais de 70% das crianças pobres nunca foram à escola durante a primeira infância. Há 800 mil crianças de 7 a 14 anos fora da escola.

De cada 100 alunos que entram no ensino fundamental, apenas 59 terminam a 8ª série e, destes, somente 40 concluem o ensino médio. A evasão escolar e a falta às aulas ocorrem por diferentes razões, incluindo violência e gravidez na adolescência".

LINDO BALÃO AZUL - Guilherme Arantes


Eu vivo sempre
No mundo da lua
Porque sou um cientista
O meu papo é futurista
É lunático...
Eu vivo sempre
No mundo da lua
Tenho alma de artista
Sou um gênio sonhador
E romântico...

Eu vivo sempre
No mundo da lua
Porque sou aventureiro
Desde o meu primeiro passo
Pro infinito...

Eu vivo sempre
No mundo da lua
Porque sou inteligente
Se você quer vir com a gente
Venha que será um barato...

Pegar carona
Nessa cauda de cometa
Ver a Via Láctea
Estrada tão bonita
Brincar de esconde esconde
Numa linda nebulosa
Voltar prá casa
Nosso lindo balão azul
Nosso lindo balão azul

Oh! Oh! Oh! Oh!...
Nosso lindo balão azul

Uh! Uh! Uh! Uh!...

domingo, 23 de agosto de 2009

UM BELO GESTO - Solidariedade não tem preço

Pat Dollard


Charles 'Charlie' Brown, de 21 anos, era um piloto de Boeing B-17 do 379º Grupo de Bombardeio, em Kimbolton, Inglaterra. Em 20 de dezembro de 1943 seu B-17, chamado 'Ye Olde Pub', estava em terrível estado, após ser atingido diversas vezes por flak e caças durante uma missão de bombardeio de uma fábrica em Bremen, na Alemanha. A bússola tinha sido atingida e eles estavam voando para dentro do território alemão, ao invés de voltar para Kimbolton. Sete dos seus tripulantes estavam feridos e ele próprio sangrava, com um estilhaço fincado no ombro.

Um piloto alemão chamado Franz Stigler teve ordens de decolar e derrubar o B-17. Quando se aproximou do quadrimotor, o alemão não pôde acreditar no que via. Em suas palavras, 'nunca tinha visto uma aeronave em estado tão ruim'. Da cauda e da sessão traseira do avião pouco restava. O artilheiro de cauda estava ferido. O artilheiro de dorso tinha seus restos espalhados pela fuselagem. O nariz estava esmagado e havia furos por toda parte.

Apesar de ter toda a carga de munição, Franz voou para o lado do B-17 e olhou para Charlie Brown, o piloto. Brown estava aterrorizado e lutando para controlar seu danificado e ensangüentado avião. Brown notou logo o caça de Stigler voando a seu lado. Mas, o alemão não atacou. Apenas olhava, impressionado com a visão daquele B-17 tão danificado que teimava em continuar voando. Brown o pilotava na esperança de que as coisas assim ficassem até atingir as costas da Inglaterra a 400 quilômetros dali. Só que, na direção inversa à que seguia.

Ainda parcialmente inconsciente, o tenente Brown começou uma lenta subida com somente um motor funcionando a pleno. Com três tripulantes seriamente feridos a bordo, ele rejeitava a alternativa do salto ou pouso forçado. A sua alternativa era a frágil chance de atingir a Inglaterra. Enquanto guiava o agonizante bombardeiro no que julgava ser o caminho de volta para casa, Brown via o Me 109 voando junto à sua asa.

Franz então percebeu que os americanos não tinham idéia para onde estavam indo. Já tinha decidido não atirar no grande bombardeiro ferido, e podia apenas dar meia volta e deixar que o piloto inimigo se perdesse no coração da Alemanha ou fosse abatido por outro caça da Luftwaffe. Mas não fez isto. Então, Franz balançou as asas do Messerschmitt para chamar a atenção de Charlie, indicando que virasse a 180 graus. Charlie obedeceu (fazer o que?) acreditando que seria conduzido a um aeródromo alemão para ser feito prisioneiro. Mas não foi o que aconteceu. Franz escoltou e guiou o bombardeiro ferido até sobre o Mar do Norte, na direção da Inglaterra. Então balançou as asas outra vez, saudou Charlie Brown e fez a volta, de volta ao continente.

Quando pousou, disse ao seu comandante que tinha derrubado o avião sobre o mar. Nunca contou a verdade a ninguém, mesmo depois da guerra. Brown e seus colegas expuseram toda a verdade no relatório, mas receberam ordens de não comentar o incidente com ninguém, para proteger o piloto alemão.

Mais de 40 anos depois, Charlie Brown ainda procurava o piloto da Luftwaffe que havia salvado sua tripulação. Como Franz nunca havia contado sobre o incidente, nem mesmo em reuniões no pós-guerra, a busca parecia destinada ao fracasso. Brown permaneceu na Força Aérea, servindo em diversos postos até aposentar-se em 1972, no posto de tenente-coronel, e mudar-se para Miami como gerente de uma empresa de pesquisa de combustíveis. Mas o episódio do alemão que se recusou a atacar um adversário ferido o perseguia.

Ele estava determinado a encontrar o piloto inimigo que tinha poupado sua tripulação. Escreveu numerosas cartas para fontes militares alemãs, com pouco sucesso. Finalmente, uma nota num jornal de ex-pilotos da Luftwaffe exibiu uma resposta de Franz Stigler, um ás de 28 vitórias aéreas. Ele, se descobriu, foi o anjo misericordioso nos céus da Alemanha naquele fatídico dia antes do natal de 1943.

Levou 46 anos, mas em uma reunião do 379º Grupo nos EUA, em 1989, eles e outros cinco tripulantes do B-17 se encontraram. Questionando, cuidadosamente, Stigler sobre detalhes, não restaram dúvidas sobre sua identidade. Stigler, após a guerra, emigrara para o Canadá e vivia perto de Vancouver, na Columbia Britânica. Após uma troca de cartas, Brown marcou a reunião. Sobre o primeiro encontro, o piloto americano contou: “Quase quebrei minhas costelas, ele me deu um grande abraço de urso”.

Os dois homens se visitaram com freqüência desde aquele dia, e apareceram juntos em eventos militares nos EUA e Canadá. No Air Force Ball de Miami, em 1995, os dois receberam honrarias.

Na primeira carta para Brown, Stigler escreveu: “Após todos esses anos, imagino o que aconteceu com o B-17, ele sobreviveu?” Sobreviveu, por pouco. Mas, queriam saber todos, por que o alemão não havia destruído sua presa, virtualmente indefesa? “Não tive coração para aniquilar aqueles bravos homens”, disse Stigler. “Voei ao lado deles por um longo tempo. Eles tentavam desesperadamente voltar para casa, e eu decidi ajudar a que o fizessem. Eu não podia ter atirado neles. Seria a mesma coisa que atirar num homem num pára-quedas”.

Franz Stigler faleceu no dia 22 de março de 2008, aos 92 anos de idade.


(Contribuição de Ney Gastal. Publicado originalmente no Blog Sala de Guerra.)


fonte: Newsletter Jayme Copstein

SOLIDARIEDADE NÃO TEM PREÇO


UMA HISTÓRIA DE PLÁCIDO DOMINGO QUE QUIÇÁ POUCOS CONHECEM

Refere-se a dois dos três tenores — Luciano Pavarotti, Plácido Domingo e José Carreras — que emocionaram o mundo cantando juntos.
Mesmo aqueles que nunca visitaram Espanha, conhecem a rivalidade existente entre catalães e madrilenhos, já que os catalães lutam por sua autonomia numa Espanha dominada por Madri.
Pois bem, Plácido Domingo é madrilenho e José Carreras é catalão e, por questões políticas, 1984, Carreras e Domingo se inimistaram. Sempre muito solicitados em todas as partes do mundo, ambos faziam constar em seus contratos que só se apresentariam em determinado espetáculo se o adversário não fosse convidado.
Em 1987, apareceu para Carreras um inimigo muito mais implacável que seu rival Plácido Domingo, o surpreendeu um diagnóstico terrível: leucemia!
Sua luta contra o câncer foi muito sofrida, se submeteu a vários tratamentos além do auto-transplante da medula óssea e uma troca de sangue que o obrigava a viajar uma vez por mês aos Estados Unidos.
Nestas condições não podia trabalhar e apesar de ser dono de uma razoável fortuna, os altos custos das viagens e o tratamento debilitaram suas finanças.
Quando não teve mais condições financeiras, tomou conhecimento da existência de uma fundação em Madri, cuja finalidade única era apoiar o tratamento de leucêmicos.
Graças ao apoio da Fundação “Hermosa”, Carreras venceu a doença e voltou a cantar, recebeu novamente os altos cachês que merecia e tratou de se associar à fundação.
Ao ler os estatutos da entidade, descobriu que o fundador, maior colaborador e presidente da associação era Plácido Domingo.
Soube, então, que este criou a entidade, em princípio, para atendê-lo e que se manteve no anonimato para que não se sentisse humilhado por aceitar auxílio do seu “inimigo”.
O mais comovedor foi o encontro dos dois... Surpreendendo Plácido em uma de suas apresentações em Madri, Carreras interrompeu o evento e humildemente, ajoelhando-se aos seus pés, lhe pediu desculpas e lhe agradeceu publicamente.
Plácido o ajudou a levantar-se e com um forte abraço selaram o início de uma grande amizade.
Numa entrevista a Plácido Domingo, a jornalista lhe perguntava porque tinha criado a Fundação “Hermosa” num momento em que, ademais de beneficiar um inimigo, tinha ajudado o único artista que poderia fazer-lhe concorrência. Sua resposta foi curta e definitiva:
— Porque não se pode perder uma voz como esta...

Especial/La Revista
Edición 990, 10/Octubre/2008

VIVENDO E ASSISTINDO!


Gente, estou pasma, ou estou em outro mundo e não percebí.
Exatamente hoje fiquei sabendo que existem concursos para:
mini miss Brasil
miss Brasil infantil e
miss pré-teen Brasil

Enlouquecí e "copiei" e " colei" todas as informações do site:
www.missbrazil.com.br



Rede Globo - Programa Profissão Repórter esteve presente fazendo a cobertura do Miss Brasil Infantil 2009 com muito sucesso !

Esta foi a 12° edição do concurso, realizado no dia 12 de Julho, no Teatro Aqua, do parque Beto Carrero World, em Penha, Santa Catarina.

Sessenta meninas de norte a sul do país participaram do evento,com uma programação especial de três dias, onde foram entrevistadas pela Rede Globo, fotografadas além de terem passeado e brincado no maior parque temático da América Latina.
Para eleger as vencedoras fizeram parte do corpo de jurados:
- Jéssica Pereira-Miss Ambar Brasil 2009,
- Karine Silveira-Beto Carrero World,
- Cláudio Dal Vesco-Vice-Prefeito e Sec.Turismo de Bal.Camboriú,
- Ademar Schnelder-Diretor de Turismo de Bal.Camboriú,
- Irene Valenga-Mundo Model,
- Jullie Czlusniak-Miss Campo Largotur 2009,
- Márcio Almeida-Ator,
- Maria Helena Dal Vesco-Empresária,
- Juliana Spohr-Jornalista e Atriz,
- Rosalmo Vargas-Radialista,
- Paulo Festinha-Pres.Assoc.de Artistas de SC,
- Nair de Souza-Atriz,
- Regina Krumenauer-Empresária e
- Giane Hamen-Empresária.

As candidatas do Concurso desfilaram em trajes típicos homenageando o Rei do Pop Michael Jackson com a música Heal the World, a qual ajudou a salvar milhares de crianças que passam fome na África.
Logo após em uma apresentação especial todas as candidatas mostraram seus talentos infantis desfilando e dançando. Em seguida com o desfile em trajes de gala o júri pode selecionar as vencedoras:

MINI MISS BRASIL – Lorena Tucci - SP
2ºlugar – Manuella Mello - RS
3ºlugar – Beatriz Petrentchuk - SC

MISS BRASIL INFANTIL – Jaqueline Frantz - PR
2ºlugar – Ana Maria de Oliveira - MT
3ºlugar – Manoela Menegotto-SC

MISS PRE-TEEN BRASIL – Kauane Pyl - PR
2ºlugar – Tayla de Bastiane - SC
3ºlugar – Karla Nazário - MT

Títulos Especiais para:
Melhor Traje Típico Brasil Infantil – Raíssa Aranha - PB
Miss Elegância Brasil Infantil – Letícia Magalhães - MT
Miss Simpatia Brasil Infantil – Karina Grella - SP
Miss Fotogenia Brasil Infantil – Flávia Barros - PE
Pequena Estrela Infantil Brasil – Larissa Piardi - RS
Destaque Fashion – Thaisi Pinto – RO

Apoio:
Parque Beto Carrero World, Rede Globo, G1-Portal de Notícias da Globo,
Secretaria de Turismo de Bal.Camboriú, Hotel Vieiras, Mundo Model
Escola de Modelos, Box Home e Jockey a Rigor.


As vencedoras irão ao Concurso Internacional - Little Miss Nations 2009 no mês de agosto em Curitiba, onde candidatas de diversos países já confirmaram participação.

DESEJO - Victor Hugo



Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim
Mas se for, saiba ser sem se desesperar
Desejo também que tenha amigos
Que mesmo maus e inconseqüentes
Sejam corajosos e fiéis
E que pelo menos em um deles
Você possa confiar sem duvidar

E porque a vida é assim
Desejo ainda que você tenha inimigos
Nem muitos, nem poucos
Mas na medida exata para que
Algumas vezes você se interpele
A respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles
Haja pelo menos um que seja justo

Desejo depois, que você seja útil
Mas não insubstituível
E que nos maus momentos
Quando não restar mais nada
Essa utilidade seja suficiente
Para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante
Não com os que erram pouco
Porque isso é fácil
Mas com os que erram muito e irremediavelmente
E que fazendo bom uso dessa tolerância
Você sirva de exemplo aos outros

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais
E que sendo maduro
Não insista em rejuvenescer
E que sendo velho
Não se dedique ao desespero
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor

Desejo, por sinal, que você seja triste
Não o ano todo, mas apenas um dia
Mas que nesse dia
Descubra que o riso diário é bom
O riso habitual é insosso
E o riso constante é insano.

Desejo que você descubra
Com o máximo de urgência
Acima e a respeito de tudo
Que existem oprimidos, injustiçados e infelizes
E que estão bem à sua volta
Desejo ainda
Que você afague um gato, alimente um cuco
E ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque assim, você se sentirá bem por nada

Desejo também
Que você plante uma semente, por menor que seja
E acompanhe o seu crescimento
Para que você saiba
De quantas muitas vidas é feita uma árvore

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro
Porque é preciso ser prático
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele na sua frente e diga:
"Isso é meu"
Só para que fique bem claro
Quem é o dono de quem

Desejo também
Que nenhum de seus afetos morra
Por eles e por você
Mas que se morrer
Você possa chorar sem se lamentar
E sofrer sem se culpar

Desejo por fim
Que você sendo homem, tenha uma boa mulher
E que sendo mulher, tenha um bom homem
Que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes
E quando estiverem exaustos e sorridentes
Ainda haja amor pra recomeçar

E se tudo isso acontecer
Não tenho mais nada a lhe desejar


ANÊMICAS - Medeiros e Albuquerque



Eu abomino as pálidas donzelas,
sem sangue, sem calor, sem movimento
que aos abraços do amor perdem o alento,
nas longas noites sensuais e belas.

Quero sentir meu peito contra o peito
de alguém cheio de vida e mocidade
palpitar na gostosa ansiedade
dos loucos beijos, no perfúmeo leito.

Quero apertá-la doida… doidamente…
no momento do espasmo deleitoso
e sentir seu sangue vigoroso
palpitar sob mim, convulsamente…

Sirvam as doces virgens delicadas
românticas beldades vaporosas
para enfeitar as páginas mimosas
das crônicas antigas, ilustradas…

CECÍLIA MEIRELES



"O tempo seca a beleza
seca o amor,
seca as palavras.
Deixa tudo solto, leve,
desunido para sempre
como as areias nas águas"

MYRIAM FRAGA


" Uma casa tão clara,
Aberta aos ventos, E a cada dia sempre
Renovada.

Aqui plantei minha vida,
Nos esquadros
E soleiras das portas"

PADRE ANTÔNIO VIEIRA


"Quem rí atenua e alivia os males;
quem chora os acrescenta e faz mais sensíveis e pesados (...),
quem ri, por exemplo e simpatia, move a rir;
quem chora, por exemplo e com razão, ensina a chorar".

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

PASSAREDO - Chico Buarque


Ei, pintassilgo
Oi, pintaroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-vento
Saíra, inhambu
Foge asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tié-sangue
Xô, tié-fogo
Xô, rouxinol sem fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde colibri
Voa, macuco
Voa, viúva
Utiariti
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí
Ei, quero-quero
Oi, tico-tico
Anum, pardal, chapim
Xô, cotoviaXô, ave-fria
Xô, pescador-martim
Some, rolinha
Anda, andorinha
Te esconde, bem-te-vi
Voa, bicudo
Voa, sanhaço
Vai, juriti
Bico calado
Muito cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
homem vem aí